Artigo

Sobre Tarô #5 – Jung e os Arcanos 15, 14 e 13.

Olá Aventureiros dos reinos internos, sejam eles os reinos de Hel, Hades ou o Inconsciênte! Aqui estamos para desbravar mais um pouco os planos do Tarô!

É sempre bom avisar a novos viajantes que esta é a parte #5, logo para compreender melhor visite a parte #4#3#2 e #1. Dito isso, agora vamos a discussão de hoje.

Já sabemos através do podcast Mundo Freak Confidencial 43 – A Arte Mística do Tarô que o uso de objetos diversos para tentar compreender nuances não perceptíveis da realidade é algo muito antigo, muitos tentaram até “domar” acontecimentos futuros, mas a grande maioria encontrou nessas ferramentas divinatórias um instrumento de obtenção de informações para a orientação em decisões e como ferramenta de desenvolvimento pessoal. Já sabemos também que oráculos estiveram, estão e provavelmente sempre estarão presentes nas mais diversas culturas.

O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (pronuncie algo como “Iúngui”), criador da Psicologia Analítica (aliás ouça o ótimo Papo Lendário sobre Jung, com o nosso amigo Leo Mitocôndria), olhou atentamente com seus estudos aos mecanismos da vivência mística na psique, e claro, observou nas ferramentas oraculares um ótimo objeto de pesquisa. Jung pareceu compreender que esses instrumentos juntamente com o divinador (o cara que usa os instrumentos) promoviam alguma forma de diálogo com forças invisíveis, para além de espíritos, anjos, demônios ou o que for, Jung ouvia nas cartas e no I-Ching a voz interna de seu inconsciente (algo como um Sagrado Anjo Guardião não-místico), percebendo o Tarô como uma poderosa ferramenta de autoconhecimento.

É curioso essa forma de pensar, pois nas figuras, situações e virtudes propostas pelas cartas, sinalizam a sua forma pontos interessantes e comuns a trajetória existencial humana (sobretudo nos Arcanos Menores como eventualmente veremos), uma vez que todos passamos por situações semelhantes a certos simbolismos dos Arcanos, por repetição social essas informações se sedimentam em nossa psique, tornando os símbolos das cartas, referenciais, não é a “carta que tem poder” e sim o seu simbolo que ganha poder pela existência e experiência humana.

Por exemplo, nas lâminas (ou Arcanos, ou cartas) estão representados, o Amor Materno, o Impulso Sexual e de Prazer Pessoal, o Fascínio pelo Místico, o Pensamento Pragmático e Racional, a Vontade de Guerrear, entre tantos outros, com as próprias interações entre as cartas simbolizando novas interações de idéias e símbolos, cobrindo assim vários sabores e dissabores da experiência humana. Por isso, para além da Magia (que a meu ver é o viver) o Tarô propicia um espelho, um portal para a reflexão e o pensar sobre si através de uma ferramenta de exteriorização… Ou algo assim.

Já me alonguei muito… Vamos as Cartas!

15 –  O Diabo

O Senhor dos Portões da Matéria – A Inteligência Renovadora

arcano 15-mundo-freak

Correspondência: Letra Hebraica: ע Ayin (Olho); Signo: Capricórnio; Runa: Perthro; Dados: [3][6]; Cor: Índigo; Som: Lá Natural

Palavras Chave

As provas e provações. As tentações e seduções. Magias. Desordem. Paixão. Luxúria. Dependência. Intercâmbio, eloqüência, mistério, força emocional. Paixões indomáveis. Atração sexual. Ação mágica, magnetismo. Capacidade milagreira. Poder oculto, exercício de influências misteriosas. Proteção contra as forças obscuras e os encantamentos.

Interpretação nos Corpos

– Mental: Grande atividade, mas totalmente egoísta e sem preocupação pela justiça.
Emocional: Pluralidade, diversidade, avidez, inconstância. Busca em todas as direções para atrair tudo. Sem a menor preocupação com o próximo. Libertinagem.
Físico: Grande irradiação neste plano, em particular no domínio material e nas realizações concretas. Poderosa influência sobre os outros. Forte atração pelo poder material. Tem, contudo, uma deficiência: todos os sucessos a que promete serão obtidos por vias censuráveis. Desta forma a fortuna será feita e os delitos permanecerão na impunidade. Inclui também a punição: de acordo com a sua relação com as outras cartas, pode significar que os sucessos serão efêmeros e que o castigo virá na seqüência. Do ponto de vista da saúde: grande instabilidade nervosa, transtornos psíquicos; aparição de enfermidades hereditárias.
Sentido negativo: A ação parte de uma base má e seus efeitos podem ser calamitosos. Desordem, inversão de planos, coisas obstruídas. Do ponto de vista da saúde: ampliação do mal, complicações. Disfunção. Superexcitação, sensualidade. Ignorância, intriga. Emprego de meios ilícitos. Enfeitiçamento, fascinação repentina, escravidão e dependência dos sentidos. Debilidade, egoísmo.

Aplicações Práticas: “Nesse momento preciso pensar em mim, Tenho condições de conquistar o que desejo” – Necessidade de Voltar os olhos para sí mesmo, conhecer suas necessidades sem medo, buscar desafios que acendem a chama do prazer próprio, atenção e zelo pela sua auto-estima.

Sobre a Carta: A primeira impressão em nossa cultura é de ser uma carta negativa, porém o Diabo aqui representa o máximo do ser humano, esperto, sensual, realizador, charmoso, com poder de convencimento, o indivíduo que faz e acontece por si e para si, não necessariamente egoísta, talvez egoico, pois não quer especificamente fazer o mal ao próximo. Porém é uma carta tênue, um fio da navalha, não quer fazer o mal, mas se o outro estiver em seu caminho, será que o altruísmo falará mais alto?

 

14 – A Temperança 

Arcano 14.Mundo-FreaK

A Filha dos Reconciliadores, a Parteira da Vida – Inteligência da Provação (A Tentação Primária, o teste do Criador)

Correspondência: Letra Hebraica: ס Samech (Apoio ou Escora); Signo: Sagitário; Runa: Gebo; Dados: [3][5]; Cor: Azul; Som: Sol Sustenido.

Palavras Chave
A alquimia, a transmutação dos elementos. Renovação da vida, influência celeste, circulação, adaptação. Serenidade. Harmonia. Equilíbrio. Tolerância, paciência, praticidade, felicidade. Aceitação dos acontecimentos, flexibilidade para adaptar-se às circunstâncias. Educação, trato social. Caráter elástico para enfrentar as transformações. Temperamento descuidado.

Interpretação nos Corpos
– Mental: Espírito de conciliação, ausência de paixões no julgamento; dá o sentido profundo das coisas, como representante de um princípio eterno de moderação. Exclui a rigidez, o emperramento. Corresponde à flexibilidade e ao plástico.
– Emocional: Os seres se reconhecem e se encontram por suas afinidades. Sob a influência desta carta são felizes, mas não evoluem e não conseguirão se livrar um do outro.
– Físico: Conciliação nos negócios, atividades e empreendimentos. Pesam-se os prós e contras, encontra-se a maneira de estabelecer um compromisso, mas se ignora se o empreendimento será ou não coroado de êxito. Reflexão, decisão que não pode ser tomada de imediato. Do ponto de vista da saúde: enfermidade difícil de curar, porque se alimenta de si mesma.
– Sentido negativo: Desordens, discordâncias. Indiferença. Falta de personalidade, passividade. Inconstância, humor irregular, desequilíbrio. Tendência a se deixar levar pela corrente, submissão à moda e aos preconceitos. Resultados não conformes às aspirações. Derramamento, saída, fluxo involuntário. As coisas seguem o seu curso.

Aplicações Práticas: “Eu me harmonizo com a Verdade Interior. Me Protejo e Equilibro através da Confiança e da Fé” – Reflexão e Paciência, a Irritação e a Ansiedade não permite que nada aconteça devidamente. O Tempo é o Melhor remédio para saber o correto e aquilo que não deve acontecer. Ponderar e pensar.

Sobre a Carta: Tão importante quanto saber equilibrar-se é continuar em movimento, sempre caminhando em busca de um objetivo, com um alvo. Muitas vezes a vida não nos dá tempo para parar e pensar, é preciso pensar, bem e movimentar-se. Buscar a coexistência de aparentes opostos (aparente pois tudo é um) é possível e é em si um processo mágico e de criação, não somos inimigos, o aparente mal pode trazer e traz o bem.

 

13 – A Morte

Arcano 13.MUNDO-FREAK

O Descendente dos Grandes Transformadores, O Senhor do Portão da Morte – Inteligência Imaginativa (todos são similares)

Correspondência: Letra Hebraica: נ Num (Peixe); Signo: Escorpião; Runa: Nauthiz; Dados: [3][4]; Cor: Verde-Azulado; Som: Sol Natural.

Palavras Chave
Grandes transmutações e novos espaços de realização. Dominação e força. Renascimento, criação e destruição. Fatalidade irredutível. Fim necessário. Fim de uma fase. Abandono de velhos hábitos. Profundidade, penetração intelectual, pensar metafísico. Discernimento severo, sabedoria drástica. Resignação, estoicismo, dom para enfrentar situações difíceis. Indiferença, desapego, desilusão.

Interpretação nos Corpos
– Mental: Renovação de idéias, total ou parcial, porque algo vai intervir e tudo transformar; como um fenômeno catalisador ou um corpo novo que modifica totalmente a ação do corpo atual.
– Emocional: Afastamento, dispersão. Destruição de um sentimento, de uma esperança.
– Físico: Morte, perdas, imobilidade. Completa transformação nos negócios ou atividades.
– Sentido negativo: Do ponto de vista da saúde, estagnação de enfermidade ou processo. A morte poderá ser evitada, mas em troca de uma lesão incurável. Segundo sua posição, pode significar a morte, em seus múltiplos matizes, mas também maus acontecimentos, más notícias. Prazo fatal. Xeque-mate inevitável, mas não provocado pela vítima. Ânimo baixo, pessimismo, perda de coragem. Interrupção de um processo para começar de modo diametralmente oposto.

Aplicações Práticas: “Transformo o que não me satisfaz. A Mudança é uma postura necessária para prosperar a vida e na vida” – A Morte traz as transformações necessárias, sem apegos ou sofrimentos desnecessários. Para alcançar o que se quer é preciso mudar situações e comportamentos. Assim respeita a si mesmo e seu crescimento.

Sobre a Carta: Não necessariamente a morte física, mas sim uma morte parcial, assim como a lagarta morre para tornar-se borboleta, não é mais lagarta, é outra coisa, mas ainda é lagarta, em outra forma, com outras potencialidades. Deixar-se morrer é saber viver, não há controle sobre tudo, se é que há controle sobre algo, tememos a morte, e quando ela vem, nem se quer vivemos. Ela vem para todos, evolui todos, sejam reis, crianças, papas ou plebeus. Todos os homens merecem morrer.

 

Galera! Aqui esta mais um post do Sobre Tarô, estamos longe de terminar, na próxima postagem talvez traga alguns esclarecimentos de dúvidas que recebi in-box no facebook, se mais alguém tiver alguma pergunta, por favor não tenha vergonha e use a nossa área de comentários, a chefia agradece o movimento na page ;]

Beijos a todos e Sucesso!

 

 

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