Artigo

Os Deuses de Cthulhu Mythos

Com certeza você já teve contato com qualquer coisa que seja ligada aos mitos de Cthulhu, que hoje vão muito além de seu autor, espalhando tentáculos e loucura pelo universo do cinema, games, e HQs. Esse vasto universo de terror tem suas raízes nos escritos de Howard Phillips Lovecraft, que rabiscava suas bizarrices no início do século XX, e pela criatividade mórbida é considerado hoje um ícone da literatura fantástica mundial.

Se por algum motivo seus conhecimentos a cerca deste fantástico universo for parco, sofrível e te envergonha, nós do mundo freak não vamos te deixar na mão! leia tudo o que esta aqui na nossa coluna Mundo Tentacular e mostre para os seus amigos as sombras da loucura dos grandes antigos agindo em sua vida!

Assim como muitos outros autores, Lovecraft começou a criar seu universo de maneira descompromissada, por prazer e diversão – apesar de alegar em algumas cartas pessoais que a matéria prima de seus escritos eram seus sonhos – aos poucos, e graças a muitos artistas que cooperaram em dar continuidade a sua criação, a obra tomou um gigantesco tamanho, tornando-se um multiverso complexo que acabou por transcender a sua própria caneta e mente.

Os textos de Lovecraft tem como tema a descoberta de que o planeta terra já foi lar de uma infinidade de criaturas muito mais antigas e inconcebíveis para nossa mente suportar sem fragmentar-se, e por alienígena me refiro a povos amorfos, deuses monstros ancestrais de poder cósmico, e uma moral que nem se quer pode ser chamada assim. Aos humanos curiosos na realidade lovecraftiana, cabe apenas pagar com a vida, a sanidade ou algo muito pior, não há aqui espaço para heróis.

Neste texto do Mundo Tentacular do Mundo Freak vamos focar em um aspecto importante de qualquer universo, e claro, a cereja do bolo da criação de Lovecraft: as Divindades de Cthulhu Mythos (Mitos de Cthulhu).

Estas poderosas entidades de horror cósmico e ancestral só podem ser chamadas de deuses pelo ponto de vista humano, uma vez que seus poderes são imensuráveis e sua atuação incognoscível (acostumem-se com esses termos estranhos, infinitivos e elusivos para ler Lovecraft…) o mero vislumbre de sua magnitude, mesmo que em sonho é capaz de causar comoção, loucura e adoração.

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Os Grandes Antigos

Grandes Antigos (The Great Older One) é o nome dado a este bizarro panteão próprio, onde em teoria, todos respondem (ou não) sob comando de Azathoth o Sultão Demônio do Caos Nuclear, uma divindade que a muito perdeu-se, tornando-se irremediavelmente insano, mesmo para os padrões dos Grandes Antigos. Falaremos então, das principais divindades deste panteão:

 

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O Grande Cthulhu

A provável origem do nome, seria uma transliteração do nome original, impossível de ser reproduzido em voz humana, e que teria dado origem a palavra árabe Khadhulu, que significaria “aquele que abandona”. No Alcorão existe a seguinte passagem: 25:29 – “Para a Humanidade Satan é Khadulu”.
É o mais conhecido e influente dos Great Old Ones na cultura humana, costuma ser mencionado como sacerdote e mentor entre os Grandes Antigos, sempre em uma posição de destaque e influência. Seu principal avatar é um ser gigantesco, vagamente humanóide, de longos braços terminados em garras, asas como de morcegos, tentáculos de polvo na base frontal do crânio, e algo dracônico em sua estrutura escamosa.

Teria chegado a terra milhões de anos antes do aparecimento do homem e povoado a criação vazia com sua raça de seres humanóides anfíbios, que o adorariam na cidade gigantesca e ciclóptica de R’lyeh, onde é hoje o oceano pacífico sul, onde reinou e comandou o seu império, até ao dia em que as estrelas atingiram um alinhamento que o obrigou a entrar em letargia e adormecer. Desde então Cthulhu dorme em sua cidade submersa aguardando um alinhamento estelar que permita seu ressurgir. Mesmo adormecido, Cthulhu comunica-se telepaticamente induzindo sonhos e pesadelos onde apresenta suas criações e sua cidade orgulhosa, enlouquecendo e impressionando pessoas sensíveis, como médiuns e artistas, e essa influência silenciosa é o motivo de ainda hoje haver focos de cultos a esse Grande Antigo, com cultistas agindo nas sombras para antecipar seu retorno.

Aparição em: “O Chamado de Cthulhu”

 

Shub-Niggurath

Shub-Niggurath

Divindade obscena e profana da fertilidade, muitas vezes conhecida como a deusa adorada pelas bruxas, ou sob o título de “A Cabra Negra da Floresta Mãe de Mil Crias”. Shub-Niggurath é o Grande Antigo mais acessível à humanidade, ainda cobrando a sanidade e muito mais quando alcançada, mas podendo ser alcançada, possuindo cultos gigantescos espalhados pelo mundo. Alguns estudiosos dos mitos dizem que muitas das divindades da fertilidade de diversas culturas era uma forma simplificada e abrandada de Shub-Niggurath para a compreensão humana.

A forma mais comum da deusa-monstro é uma gigantesca nuvem com diversas partes de corpos aparecendo e desfazendo-se em sua estrutura, pernas com cascos, bocas com presas e tentáculos sendo os membros mais comuns.

Aparição em: “Um Sussurro nas Trevas”

Yog-Sothoth

Yog-Sothoth

Uma divindade mística e maldita, muitas vezes chamada de “A Chave e o Portal”, “O Veículo do Caos” ou “Aquele que é Um e é Todos”, Yog-Sothoth é  a manifestação exterior do caos primitivo, a divindade procurada por magos e feiticeiros que desejam poder. Habita em todos os lugares e em nenhum, apesar de influenciar e existir em todos os locais e tempos possíveis, não pode manifestar seu avatar em nenhum, exceto por meio de complexos rituais e mesmo assim por um período limitado de tempo, alguns teóricos dizem que isso se da por sua essência não pertencer fundamentalmente a nenhum local “organizado” existindo assim no vazio entre as dimensões. Seu avatar toma a forma de uma massa variável de globos viscosos e luminosos.

Aparição em: “A Casa das Bruxas”

Azathoth

Azathoth

O “Sultão Demônio”, o “Caos Nuclear que Arde no Coração das Estrelas” é o mais importante e poderoso dos Grandes Antigos. Seu avatar é fisicamente uma massa gigantesca e amorfa de caos nuclear em plena existência consumindo a si mesmo em poder, sendo incrivelmente poderoso e louco, desprovido de qualquer forma de lógica ou coerência mesmo para os Grandes Antigos.

Azathoth passaria a maior parte do tempo e existência no centro do universo, dançando em sua loucura ao som das flautas da criação, não pode ser convocado nem acessado, sendo a maior parte das suas aparições simples caprichos insanos relacionadas com catástrofes gigantescas causadas por uma insignificante parcela de seu poder.

Aparição em: “A Busca por Kadath”

Nyarlathotep

Nyarlathotep

O Mensageiro dos Grandes Antigos, Nyarlatoteph teria seu nome do egípcio Ny Har Rut Hotep, que significa “não existe paz na passagem”, e muitas vezes é chamado de “Aquele de Mil Faces” ou “Portados de Mil Máscaras”. Esta divindade tem livre acesso a todos os planos e mundos, e um terrível capricho pela raça humana, sendo o único que entra em contato com seus cultos de maneira regular, causando em cada palavra dor, morte e mutilação. Possui uma inteligência incrível e consegue adotar centenas de formas físicas distintas, podendo parecer qualquer homem, simples ou não, ou uma monstruosidade gigantesca com três pernas, braços em garras afiadas e um tentáculo no lugar da face. Estudiosos especulam que um obscuro faraó da IV Dinastia do Egito era na verdade um avatar de Nyarlathotep e que a própria esfinge seria uma representação em tamanho natural de uma outra forma deste deus.

Aparição em: “A Busca por Kadath”

 

Estes são algumas das principais divindades que aparecem nos contos e livros de Lovecraft, com essa simples introdução você já pode temer o sussurrar destes nomes quando surgirem nas bocas dos mais diversos personagens.

Talvez não seja exagero lembrar que o próprio Lovecraft considerava suas obras ficção… já a Ordem de Dagon jura de pés juntos já ter contatado em rituais específicos alguns dessa galera…

 

Referências
Blog Mundo Tentacular
Revista Dragão Brasil nº 71-72
imagens por Mr Zarono

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