Artigo

[Folclore] Boitatá – A cobra flamejante

Salve, salve, nobres leitores. Aqui quem vos fala é o investigador Paulo Henrique e dessa vez continuaremos a falar das lendas urbanas e folclores desse nosso imenso Brasil. Hoje vamos conversar sobre um dos contos que pessoalmente eu mais gostava na minha infância, o conto de uma cobra flamejante que protege a mata de queimadas: o Boitatá, a cobra flamejante.

Por ser um folclore realmente antigo, vou relatar alguma das versões do conto, pois por vir do oral o conto sofre diversas alterações e isso atrapalha ao se tentar encontrar uma história original. O primeiro relato deste conto vem da carta do padre jesuíta José de Anchieta, que descreve uma cobra com enormes olhos e com as escamas todas em um fogo realmente forte; porém, pesquisas antropológicas atuais descobriram que o conto já existia em lendas dos tupis, antes mesmo da chegada dos portugueses.

“Mboi” traduzido do Tupi seria ‘cobra’ e “tata” seria ‘fogo’, daí seu nome que tanto refere-se a contos locais. De uma variância, essa cobra teria sido um dos únicos animais malignos que teria sobrevivido ao dilúvio bíblico de 40 dias e 40 noites, escondido nas profundezas da arca, e após o mundo se tornar habitável novamente sairia e se esconderia em um dos maiores rios do mundo: o Amazonas. A cobra possuiria um fogo mágico que não se apaga dentro da água e que, quando lançado sobre alguma pessoa, não queima a paisagem e sim apenas o homem que estiver destruindo a selva.

Em outra versão, mais ao nordeste do país, que não indica sua origem, mas diz que a criatura mora nos rios e salva a mata de queimadas (apagando o fogo com seu próprio fogo mágico), o suposto animal teria a capacidade de se transformar em um tronco flamejante para matar aqueles que cometem crimes contra a natureza. Correr dele seria o maior erro, pois conta a lenda que o certo seria você ficar parado com os olhos bem fechados e com a respiração travada.

A criatura pode não apenas matar, mas deixar cego ou levar a vítima à loucura e à insanidade. Existe ainda uma explicação científica para a ocorrência do boitatá: um evento chamado Fogo fátuo, onde os gases liberados pela decomposição de materiais orgânicos entram em combustão. A explicação para “perseguir” as pessoas seria a de que ao correr a pessoa cria uma área de vácuo atrás dela e o ar que preenche esse vácuo também atrair o gás, criando assim uma sensação de estar sendo perseguido.

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Mas em Santa Catarina, no sul do país, a lenda é de uma cobra que se transforma em um boi que brilha como um fogo cintilante e persegue pessoas que destroem a mata.

Bom, nobres leitores, vou ficando por aqui. Obrigado a todos que acompanharam e deixem nos comentários qual é a versão que vocês conheciam. Lembrando ainda que não existe versão “correta”, pois por se tratar de um folclore podem existir diversas alterações através dos tempos e espaços. E lembrem-se: Não olhem para trás.

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