Artigo

Defendendo o Indefensável – A Hora do Pesadelo 2010

Primeiramente gostaria de explicar como vai funcionar esta nova coluna aqui no Mundo Freak. O espaço aqui é destinado aos párias da sociedade. Aqueles filmes que foram fracassos de bilheteria, que revoltaram fãs, que não corresponderam às expectativas, mas que no fundo ainda podem ser defendidos. Para começar vamos analisar a nova roupagem de um dos vilões mais clássicos do cinema de horror, Freddy Krueger em A Hora do Pesadelo. 

Quando anunciaram que uma refilmagem estava sendo feita pela Platinum Dunes (responsável pelas novas versões de Sexta-Feira 13, Terror em Amityville, O Massacre da Serra Elétrica e A Morte Pede Carona) fiquei extremamente desconfiado. Michael Bay seria um dos produtores e com isso comecei a esperar o pior. Sou fã do Freddy desde a infância e vi muitos dos filmes da franquia no cinema (classificação indicativa funcionava de uma maneira diferente nos anos 80/90). Para mim não havia como alguém superar Robert Englound pois ele era a vida de todos aqueles filmes.

Quando anunciaram o Samuel Bayer como diretor, um sopro de esperança surgiu. O cara não era um cineasta experiente, mas ele era o responsável pela melhor safra de clipes musicais sombrios da década de 90/00. São dele obras como Smells Like Teen Spirit do Nirvana, Until It Sleeps do Metallica, Only Happy When it Rains do Garbage e muitos outros. Depois anunciaram o Jackie Earle Haley como Freddy e aí eu achei que realmente havia uma chance desse filme prestar. Haley vinha de uma série de papéis fenomenais em filmes como Pecados Íntimos, A Grande Ilusão e Watchmen. Ele tinha o tom sombrio e a presença em cena ideais para dar vida ao mestre dos sonhos. A última notícia que tive antes do filme chegar foi que este vilão não teria o senso de humor característico do personagem. A abordagem aqui seria completamente diferente.

Chegou a estréia e fui com a mente aberta. Minha primeira e inesperada surpresa foi a de ter gostado mesmo desta nova versão. A segunda foi a reação extremamente negativa por parte de praticamente TODO MUNDO. Críticos odiaram, fãs estavam pessoalmente ofendidos e as reclamações não paravam.

Ao ver o resultado nas bilheterias fiquei intrigado do motivo pelo qual não houveram muitos rumores sobre uma sequência, afinal o filme custou 35 milhões de Dólares e rendeu 115 milhões, sendo 63 milhões só nos EUA. Do outro lado, os críticos estavam descendo a madeira no filme. Ele tem apenas 15% no Rotten Tomatoes, com média de 3,7 de 10.

Então por que diabos só eu gostei do filme? Vamos por partes:

– Freddy Krueger: Para apreciar este filme a pessoa precisa saber de cara que não estamos falando da mesma persona que surgiu em 1984. A maquiagem foi primorosa por realmente trazer uma pessoa que parece ter sofrido queimaduras severas. As orelhas estão deformadas, ele praticamente não tem nariz e existe uma certa falta de mobilidade na boca que afeta até mesmo a maneira como o personagem fala. Este Freddy não teria funcionado se não fosse o trabalho estupendo de Haley na composição de um homicida sádico e sem um pingo de empatia.

– Origem: Krueger, neste filme, era um zelador numa pré-escola e existe toda uma subtrama relacionada a culpa ou não dele nos crimes anteriores a sua “morte”. Algo que achei interessante, pois a atuação dele como uma pessoa amável e muito amiga das crianças trouxe Freddy para uma realidade que povoa pesadelos de qualquer pessoa que tenha um(a) filho(a).

– Micro-cochilos: Foi uma desculpa criada pelos roteiristas para enfiar o vilão em cena a qualquer momento. Muita gente reclamou mas eu achei inventivo. Funciona bem para que não tenhamos ideia de quando os heróis estariam em perigo.

Agora também não dá para dizer que o filme é perfeito. As sequências de sonho e as mortes propriamente ditas não são tão inventivas quanto as que vimos em filmes anteriores. Por outro lado estamos falando de um filme contra uma franquia com 8 produções e muitos roteiristas.

O elenco de apoio é muito fraco, com exceção da Rooney Mara (pré Lisbeth). Não conseguimos nos conectar com os adolescentes o suficiente para que nos importemos com suas mortes, por outro lado eu acabei de rever toda a franquia e posso te dizer que atuações nunca foram o forte da Hora do Pesadelo. Basta lembrar da Nancy no primeiro filme para você entender do que estou falando.

No fim das contas temos um bom (não excelente) filme de terror, que eu colocaria facilmente no mesmo patamar do A Hora do Pesadelo de 1984. Se você viu e não gostou, dê uma nova chance para o Freddy mal-humorado. Comente aí embaixo sobre sua experiência com a franquia e divida conosco seu ódio ou compaixão por esta refilmagem.

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