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[Resenha] Um fenômeno chamado Deadpool

É inegável que a internet ganhou o Deadpool que queriam e o filme ganhou o público que precisava. A leitura da industria é certa: Virão cada vez mais filmes de heróis para maiores e isso é bom. A obra é um sucesso estrondoso e promete reverberar por muito tempo na cultura pop.

Mas os resultados disso, só veremos no futuro.

O personagem foi criado no auge dos anos 90, onde trabucos e músculos sem sentido brotavam mais que bons roteiros. Nesse ínterim, Rob Liefeld em busca de dinheiro, criava personagens genéricos a torto e a direito graças as novas políticas de direitos autorais. Um deles, uma cópia barata de Homem Aranha com o Exterminador (Slade Wilson, oi?). É claro que na época, o anti-herói-meio-vilão era apenas um personagem comum. Mais para frente, foi desenvolvido e retrabalhado por outros autores, no qual ganhou o tom de comédia de humor negro, piadas ácidas e quebra da quarta parede.

O filme até esse momento, adapta tudo o que foi construído e considerado canônico nos quadrinhos para as telas. Com poucas mudanças estruturais em sua origem. A maior delas, sendo não uma criação do projeto Arma X (que criou também o Vovôlwerine), mas por uma organização criminosa.

Com quase duas horas de tela, o filme entrega o que promete. Em proposta, ele é assertivo e impecável. Mas, seria justo julgarmos como uma obra comum? Estamos naquele limiar em que não sei exatamente onde começa ou termina o meme. Como julgar uma obra que sacaneia tanto a própria industria, como o próprio roteiro, apresentando elementos tão usados em outros filmes de super heróis?

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Vale de cada um. Como uma grande sátira, o filme acerta em rir de sí mesmo e o ator principal e produtor Ryan Reinolds, tem toda sua vida como estrela jogado em um vendaval de comentários ácidos pelas más escolhas e por características desde o começo de carreira. E talvez essa seja a melhor piada. Eu conheço a história da produção desse filme, conheço o ator, conheço o personagem e a industria. Genial, right? Em nenhum momento estive fora da brincadeira, e esse é talvez o maior mérito de Deadpool, criar um grande meme em que todos participaram.

Os problemas começam a vir quando tentamos avaliar outros pontos, sem entrar no carisma do filme. A trama é praticamente inexistente, elementos pedantes e bem previsíveis, por mais que faça piada disso. O filme perdeu uma excelente oportunidade de colocar fogo em Hollywood, mas preferiu dar o que a massa queria. Piadas de pinto e humor de referência.

Até a namorada de Wade é o suprassumo nerd. Gostosa, companheira, prostituta, donzela em perigo e nerd. O flerte de mulher forte e empoderada (que rende uma das melhores piadas do filme) se perde para dar espaço para o óbvio. Problematizadores problematizarão, convivam com isso.

Os outros personagens servem de escada, como um grande stand up comedy. Colossus, um amalgama em CGI de 5 atores diferentes, parece um desenho animado em tela, mas que estranhamente casa bem com a proposta do filme.  Míssil Adolescente Megassônico faz o papel do verdadeiro público do filme, adolescentes. O pesar é a falta de um vilão decente para a trama. Tantos personagens legais que poderiam servir de contraponto para o protagonista, mas optaram por um personagem genérico, feito por um ator sem expressão.

Em conclusão Deadpool é uma obra que gera muitos sentimentos controversos, como a mente psicopata do protagonista. Esteja na piada, ou fora dela, é interessante ver como a força das redes sociais e da sociedade de consumo moldou o que esse filme verdadeiramente é. Uma expressão cultural que talvez só entendamos daqui a 200 anos.

 

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