Artigo

[Regras da casa] Ticket to Ride

Um dia, em uma tarde ensolarada na Inglaterra, quatro amigos estavam jogando Ludo quanto tiveram uma ideia brilhante. As palavras podem não ter sido exatamente essas, mas a conversa foi algo mais ou menos assim:

– Hey! Por que a gente não monta uma banda?

– Boa ideia, John!

E assim surgiu uma bandinha chamada Beatles. Eles fizeram pouco de sucesso, quase não são mais conhecidos e, com certeza, serão esquecidos dentro de poucos anos (de 500 a 1000 anos, mais ou menos). E eles fizeram poucas músicas também, uma delas em especial foi utilizada como inspiração para nomear um ótimo jogo de tabuleiro que vem sendo premiado com frequência em convenções e afins: TICKET TO RIDE!!!!

Essa bela criação de Alan R. Moon, distribuído pela Days of Wonder e que chegou ao Brasil através dos nossos amigos da Galápagos Jogos, mais uma vez provou que um jogo bom não precisa ser complicado. Ticket to ride possui regras básicas descritas em apenas duas páginas de um manual. As regras são claras e não deixam ambiguidade no ar, não tem como interpretar as regras de uma maneira errônea, isso possibilita jogar e ter uma partida competitiva com jogadores menos experientes no mundo dos board games e até mesmo com pessoas que nunca jogaram nada além de Banco Imobiliário e Imagem e Ação. Não que esses jogos sejam ruins, pelo contrário, mas são jogos já conhecidos por todos e fazem parte de uma geração antiga de jogos de tabuleiro, onde não há inovação e as partidas tendem a serem muito parecidas umas com as outras.

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Vamos ao que interessa! Ticket to ride nos coloca na pele de grandes amigos aventureiros que se reúnem todo ano para uma nova aposta “aventurística”. A aposta desse ano é a seguinte: Quem de nós conseguirá viajar mais pelo território norte-americano? É isso que iremos descobrir ao final da partida. Muahahaha… Além de ganhar a aposta e o dinheiro dos babacas, digo, amigos, o ganhador ainda leva um prêmio inestimável: a dignidade dos perdedores. Se bem que nessa crise eu sou mais ganhar uns dólares, hein…

Como “funfa” o jogo?

Ticket to ride é um jogo competitivo baseado em turnos onde apenas uma das três ações disponíveis no jogo pode ser realizada na vez de cada jogador:

  • Comprar duas cartas de vagões coloridos, ou uma carta de locomotiva (coringa).
  • Utilizar cartas de uma mesma cor para completar uma rota no mapa e pontuar o correspondente ao tamanho de sua trilha (que varia de 1 a 6).
  • Comprar tickets de viagem, que dão pontos extras no fim do jogo. Cuidado! Se você não completar o caminho descrito no ticket, ao invés de ganhar você perde pontos. Uma jogada perigosa, faça-a com sabedoria.

Os jogadores não podem trocar cartas entre si e não podem completar rotas parcialmente, ou você completa de uma vez ou não completa de jeito nenhum. Não há limite de cartas na mão ou de tickets adquiridos.

Parece simples? Sim, é bem simples. Parece bobo? Como diria Thorin, Escudo de Carvalho, “Eu nunca estive tão errado em minha vida”.

Como apenas uma ação pode ser feita por turno, adquirir novas cartas pode significar perder a rota que você estava de olho. Construir uma rota pode expor seu ticket (missão) e os outros jogadores podem começar a construir rotas para atrapalhar seus objetivos. E, para finalizar, comprar novos tickets faz você perder uma rodada. Saibam que perder a chance de comprar as cartas necessárias ou construir uma rota chave pode significar derrota na certa.

Como já disse algumas vezes, não gosto do quesito sorte nos jogos. E acreditem: não tem como ganhar esse jogo por sorte, isso está fora de cogitação. A sua estratégia é que vai decidir o resultado final da partida. O que vale mais a pena? Construir a maior rota contínua possível? Ou conseguir construir as maiores rotas pontuais? Ou simplesmente atrapalhar os adversários para que eles façam menos pontos? Dessa forma, o vencedor não é aquele que faz mais pontos, mas sim aquele que perde menos.

Ticket to Ride já possui uma expansão, que é o Ticket to Ride Europa. Ainda existe o aplicativo de celular que permite partidas contra computadores ou contra outros jogadores. No app ainda existem outros mapas como China, Rússia etc. Para falar a verdade, esse é um bom “quebra galho” para quando a fúria e a vontade de jogar não podem ser saciadas pois seus amiguinhos marcaram dentista ou estão de exame em alguma matéria. Mas o jogo de tabuleiro é infinitamente mais divertido que a versão eletrônica, nada supera uma mesa com vários amigos reunidos para jogar algojuntos. NADA!

                               Na expansão foi introduzida uma nova peça, as estações, que possibilita aos jogadores utilizarem uma linha de outra pessoa para completar uma missão. Além disso, existem os trilhos marítimos e os subterrâneos, que necessitam de coringas para serem construídos ou podem custar um pouco a mais do que custam normalmente. São pequenas variações e adaptações introduzidas para o jogo não cair numa rotina. Mas, se você é um old school”, nada impede que as regras do primeiro jogo sejam aplicadas no segundo, apenas variando o mapa jogado.

Então reúna os amigos, chame a sua avó pra fazer aquele bolinho de cenoura com calda de chocolate, compre uns pacotes de salgadinhos e… tchuuu tchuuu!!! (Onomatopeia malfeita de buzina da locomotiva)

Eu recomendo não me chamarem para jogar caso queiram ter a chance ganhar! True Story…

Dificuldade de aprendizado: Fácil, mais fácil que montar armários de madeira compensada.

                Jogadores: 3 a 5 jogadores

                Duração do jogo: 25-30 min

                Nota do Taka: 9,43 e 78 jujubas

É isso aí!

Um bom resto de vida a todos! Hasta!

 

Taka

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