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Paranoia, Snowden e o Big Brother de verdade

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Se você está lendo esse texto, com certeza deve saber que Big Brother e BBB são duas coisas completamente diferentes e que, apesar dos dois serem danosos a nossa sociedade, é preciso se preocupar cada vez mais com o primeiro.

Em uma cena do filme A Rede Social, que narra o surgimento do Facebook, uma moça diz ao fundador do site que “na Internet as coisas são escrita com caneta e não com lápis”. Ou seja, o que você diz, reclama, publica e revela por aqui não pode ser apagado. Em algum lugar existe um registro e isso pode se voltar contra você.

Já estamos cansados de ver hackers do cinema conseguindo todo tipo de informação sobre uma pessoa, governos vasculhando a vida das pessoas a torto e a direito (sem qualquer tipo de permissão legal) somente para atingir um objetivo e outras coisas que ficam legais na telona. O problema é que nos últimos meses vimos que isso também está presente no mundo real.

A rede de espionagem usada pelas agências americanas vasculha registros de serviços que estão em nosso dia a dia como Facebook, Google e Yahoo. Eles estavam fazendo isso e ninguém fazia a menor ideia. Se de uma hora para outra quiserem uma informação sobre você, ela está disponível.

Você pode virar para mim e dizer: “quem não deve, não teme. Basta tomar cuidado com o que se coloca na net e está tudo em cima”. Eu pensava isso e mesmo assim publiquei muitas vezes mais sobre minha vida do que deveria, mas eu escrevi isso tudo na Internet, sabia no que estava me metendo. O que me preocupa é a visão de como toda esta rede funcionará daqui pra frente.

Aparelhos mais modernos como o Xbox One e o novo celular MotoX possuem uma característica que muito me preocupa. Seus microfones estarão sempre ligados, esperando comandos de voz. Basta dizer o nome do aparelho e um comando que ele será executado. Por um lado eu vejo nossa tecnologia dar mais um passo na direção dos filmes de ficção, o que me deixa muito entusiasmado, mas por outro minha faceta conspiratória se enche de preocupação.

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Em O Cavaleiro das Trevas, o personagem Lucius Fox (Morgan Freeman) discute com Bruce Wayne (Christian Bale) sobre as consequências morais de um sistema que utiliza o microfone de todos os telefones de Gothan para achar o Coringa. Neste caso uma tecnologia controversa é usada para o bem, mas sabemos que não é bem assim que o mundo funciona.

Se isso se popularizar, celulares, consoles de vídeo game e carros passarão a ser microfones para nossas conversas, interações sociais e segredos. Você nunca vai saber ao certo se não há alguém do outro lado e mesmo que companhias jurem de pés juntos que não fazem nada com os dados, não há como saber ao certo pois nem sempre um analista da CIA tem uma crise de consciência para lhe dar um choque de realidade.

Você acha que estou sendo paranoico demais? Está preocupado com o rumo que nossas vidas digitais estão tomando? Dê sua opinião nos comentários.

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