Resenha

Os incoerentes Diários do Futuro de Mirai Nikki

mirai nikki_mini

Essa resenha contém spoilers bem leves da série

Por recomendações, acabei por me interessar por essa pérola ambulante. Por isso, antes de mais nada logo aviso meu veredito: É muito, muito ruim. Se quiser ler meus argumentos, fique a vontade. Não sou fã de fazer resenhas negativas, séries fracas eu geralmente ignoro e paro de assisir, mas Mirai Nikki conseguiu com sua tosquice e quantidade de adoradores me surpreender.

A sinopse:

“Yukiteru é considerado um garoto estranho, por ter dificuldade em fazer amigos, ele acha que a vida não passa de um jogo onde ele é um espectador. Tudo que vê ao seu redor ele anota em seu celular, fazendo dele seu diário. Ele imagina um Deus que domina o tempo e o espaço. Mas não era realmente imaginação… Ele ganha desse Deus o poder de prever o futuro, através do seu celular, o seu “diário do futuro”. Yukiteru terá que usar seu poder para so

breviver em um jogo perigoso, envolvendo assassinos e psicopatas. O ultimo que ainda estiver vivo e possuir o “diário do futuro” será o sucessor de Deus. Nisso uma garota misteriosa, Yuno, se apaixona por Yukiteru e diz que irá protege-lo, o que está por traz de Yuno? Quem vai ganhar esse jogo?”

Muitos confundem o gênero desta obra. Dita como Shonnen com pegada de Seinen. Se eu quiser dar uma chance, vou com a primeira opção, já que se eu for comparar com qualquer obra adulta, iria oblitera-lo nessa resenha sem dó.

Como podem ver na sinopse acima, lidamos com um masterpiece of clichê, do ponto mais negativo do termo. Um garoto desencaixado na sociedade e solitário, procurando um motivo de vida, ganha poderes mágicos e a paixão da garota mais gata de sua classe. Cichês existem até nos melhores shonnens , é verdade, faz parte do gênero. O problema é como o anime se desenvolve.

Um “deus do tempo e do espaço” que só existe na imaginação do garoto esquizofrênico se mostra real. Distribúi doze diários para outras onze pessoas aleatórias que tem que se matar para se tornar o novo deus. O problema começa aí.

“Nenhum personagem tem qualquer profundidade, todas as motivações são completamente absurdas”

Minha teoria é de que o autor tinha um monte de cenas e personagens que considerava legais em sua mente, decidiu então que iria costura-los dentro de uma única história genérica de mata-mata. Pois é isso que a trama parece, uma sucessão de cenas absurdas que não fazem o mínimo sentido.

Yuno Mirai Nikki

Nenhum personagem tem qualquer profundidade, todas as motivações são completamente absurdas, reações sem sentido, decisões inacreditáveis e personagens que aparecem e desaparecem apenas para dar lugar a cenas mais e mais deslocadas. Mirai Nikki é isso.

Não existe qualquer radar, sensação ou motivo que levem os possuidores de diário a se acharem, mas de dois em dois episódio um pula de trás de um arbusto gritando que quer matar o “primeiro” (no caso, o protagonista).

Os diários só servem para colocar alcool no fogo, para o autor justificar certas ações dos personagens. Você tem diários falhos que prevêem o futuro apenas quando o autor quer, esquecem de usa-lo ou não conseguem enxergar jogadas simples quando a trama precisa dar desafios aos possuidores. Num extremo oposto, uma super valorização do item faz com que os mesmos ainda desviem de golpes em meio a um combate. Todos sabem lutar nesse anime. Até garotas maníacas.

Conseguiria citar pelo menos 15 situMirai Nikki - Deus Godações ou cenas descabidas por episódio, por isso fica até difícil pegar um exemplo para demonstrar, mas vou me esforçar:

No segundo ou terceiro episódio, após um dos possuidóres do diário mágico invadir a escola do protagonista, matar meio mundo e conseguir fugir da polícia da forma mais non sense possível, Yukiteru e sua amada Yuno obedecem aos comandos do detetive responsável pelo caso para ficarem de isca em um parque de diversões um dia depois do incidente, já que a terrorista o focava. E é claro que isso apenas serviu de desculpinha para fanservice da garota com biquiní e humor sexualizado. Lembrando que a própria terrorista tinha perdido um dos olhos no embate passado, mesmo eu não sendo um policial acho pouco provável que alguém tentaria um ataque homicida no dia seguinte. Nos episódios que se seguem, o colega de classe que o entregou para a terrorista o culpa pela morte dos outros colegas, mas logo aceita sair com o mesmo e se tornam amigos até o final do episódio. Sentido? Aonde?

Personagens trocam de lado como se trocassem a camisa do corpo, enquanto Yukiteru só faz choramingar a serie inteira. Mas a grande Yuno o protege, um caso à parte.

“Todos os momentos de crise da personagem surgem como muleta para justificar o fraco roteiro”

Yuno poderia ser a personagem mais interessante da série. A garota perdidamente apaixonada que tem uma dupla personalidade. Mas todos os momentos de crise da personagem surgem como muleta para justificar o fraco roteiro e quando Yukiteru é prejudicado, acaba esquecendo e relevando momentos depois. Afinal, tem uma garota bonita me dando mole e querendo me proteger, por que não? O que mais me assusta é ver que tem muita gente que é fã da personagem. E não irei nem citar ela saber lidar com facas, machados, porretes, venenos, combate corpo-a-corpo e armas de fogo sendo apenas uma colegial. Ops, já citei.

A série é violenta, um elemento muito usado em seinens de respeito e que deveria funcionar junto com uma história visceral e coerente.  Gantz é visceral, Berserk é coerente dentro de seu próprio banho de sangue. você se sente sujo vendo essas obras porque todas elas mostram o lado humano. Mirai Nikki poderia ter purpurina ao invés de sangue, pois é tão gratuito quanto Elfen Lied.

No quesito animação, a série varia entre o regular e o tosco, o maior problema é como personagens se movimentam dentro de cena, principalmente cenas de luta.

A única parte realmente acima da média da série é a trilha sonora. Algumas cenas dão o tom apenas pela música. Da mesma forma, a primeira abertura e encerramento são bem boas. Me atrevo dizer que é a melhor coisa da série.

Conclusão: Mirai Nikki é um pesadelo. Roteiro fraco, solto e desconexo levam o barco para qualquer lugar que o autor queira. Imagino o autor criando dezenas de reviravoltas mirabolantes que para ele próprio fazem todo o sentido, mas usa explicações que uma criança daria para justifica-los. Me admira muito a quantidade de fãs e adoradores da série, a obra me deixou com muita vontade de rever Death Note para tirar o gosto ruim da boca. Animação é um problema frequente e apenas trilha sonora salva. Passe longe!

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