Resenha

[Resenha e Opinião] Welcome to NHK

Hoje trago um artigo de uma das histórias que mais mexeram comigo. Mas para não estragar nenhuma surpresa, abaixo avisarei quando começa a resenha com spoilers, então, leia despreocupado.

 Para os leigos que podem achar o Japão uma “sociedade perfeita”, de trabalhadores assalariados todos os dias indo para o emprego com a mesma cara robotizada ou então a cultura glamourizada de animes e mangás, poucas vezes conhecem o lado sombrio disso tudo.  E apenas alguns poucos animes tem coragem de dar essa cara a tapa. NHK não só fez isso, como satiriza e cria uma dramédia das situações bizarras em que os personagens se colocam.

Você sabe o que é um Hikikomori? Segundo o Wikipédia:

Hikikomori (引き篭り lit. isolado em casa?) é um termo de origem japonesa que designa um comportamento de extremo isolamento doméstico. Os hikikomori são pessoas geralmente jovens entre 15 a 39[1] anos que se retiram completamente da sociedade, evitando contato com outras pessoas.”

Isso não são apenas casos de pessoas anti-sociais, virou um problema de saúde pública. Aonde milhares de jovens vivem dentro de seus quartos, em casos mais graves nem para ir ao banheiro, uma vida em que se torna um peso para os familiares.

Você sabe o que é ser otaku? Um verdadeiro otaku não é aquele seu coleguinha que gosta de comprar mangás na banca ou gosta de falar “nyu” “nyan“. Esse é o Brasil, aonde tudo é festa. O otaku é um termo pejorativo japonês para aquele em que é viciado por algo, e os que são em animes estão nesse jogo.

O que é um otaku

Isso sim é um Otaku. Bonito né? Pense duas vezes antes de sair falando isso na rua.

Welkome to NHK foi uma grata surpresa, uma dramédia psicológica que gira em torno de três personagens principais. Sato-kun, personagem principal, é um hikikomori light, que consegue sair de casa. Mas prefere encarar sua vida depressiva entre as quatro paredes. Ele descobre a existência do seu ex-colega de colégio otaku como sendo seu atual vizinho barulhento. Yamazaki, um otaku irrecuperável, viciado em lolicons e jogos de encontro.

Então como em um milagre, uma menininha meiga irá ajuda-lo, ou não? Misaki é uma mitomaníaca. (impulso por mentir) que promete ajudar Sato em sua doença com seu ambicioso projeto. E é nisso tudo que gira essa história. Isso é o background das loucuras que vemos nesse mangá/anime.

Esquema de pirâmide, uso de drogas lícitas e ilícitas, ero-games, fotografar colegiais, comunidades de suicídio e MMORPG. Tudo com o bom toque de humor negro.

Muito depressivo? NHK conseguirá te arrancar boas risadas. O anime vai de alto a baixo de maneira impressionante, com assuntos que nem sempre você achou que fosse querer se importar. E mais que isso, todos esses termos que falei acima são humanizados de maneira em que você pode acabar se identificando. Um drama juvenil em que jovens sofrem com problemas familiares, problemas de aceitação, medo de falhar na vida. Todo e qualquer jovem já passou por isso.

Uma das coisas mais legais é que a série não tem medo de abordar esses assuntos. Claro que os personagens são versões bem light do que alguns casos mais extremos, mas apesar disso conseguem ilustrar de maneira boa, gerando assim a discussão.

Eu recomendo NHK, mas não a todos. É polêmico e nem todos podem gerar a capacidade de identificação, ou pode achar tudo muito chato, já que não tem jutsus ou kamehamehas.

Atenção a resenha começa aqui. Cuidado com Spoilers

 

 

NHK é uma trama corajosa, mas com um final covarde. O anime termina sem muita conclusão, e ele fez bem. Pois o mangá continua aonde deveria ter parado. Chega a ser frustrante, você acompanhar crescimento, maturidade e a percepção da realidade dos personagens, para de repente ser jogado tudo na lama. E a parte da metade final do mangá, aonde não tem no anime, é um festival de ziguezagues sem rumo, apenas destruindo pouco a pouco o que o autor criou.

Sato sou eu, é você ou todos. Assim como Yamazaki e Misaki. Os três fazem parte de uma grande psiquê problemática. Fazendo o pião girar em torno de sí mesmo. Yamazaki entra em uma escola de animação, consegue se declarar pra garota que gosta e toma um foraSato-Kun passa todas as desventuras com as ordens implantadas por Misaki, são tantas e tantas experiencias e pensamentos e filosofias.

 Mas o autor foi covarde, e preferiu o final mais fácil. Começar tudo do zero. Isso foi uma das maiores frustrações, pois tive muito carinho pela série. Baixei o anime completo, procurei saber mais coisas sobre a trama, sobre o autor e quando saiu nas bancas, não pensei duas vezes em começar a ter em casa o “a mais” da trama que tanto instigou.

A série é divertida, irônica com pitadas de cinismo e de metalinguagem. Os protagonistas sempre questionam sobre os problemas da própria sociedade autoritária e hipócrita. É um anime para ser discutido e questionado. A recomendação para o anime fica aqui, é bem mais dinâmico. O mangá apenas para quem quer ter mais daquilo tudo.

Bem, fiquem aí com a abertura e o encerramento fantástico do anime. É muito bom.

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