Resenha

[Resenha] God of War nos quadrinhos

Eu nunca fui fã da estória de God of War, é um bom jogo, mas vejo qualquer adaptação de mitologia grega para a cultura pop com os olhos vermelhos. Épocas diferentes, conceitos diferentes. Não existe bem ou mal na mitologia, apenas de qual lado da moeda você está vendo. Hades por exemplo, sempre retratado como vilão ardil e demônio infernal, nunca vi uma boa adaptação do deus que governa o mundo dos mortos. E depois do terceiro game que finaliza uma das franquias mais aclamadas do Playstation, os gamers se sentiram fartos com God of War. Alguns fartos das bravatas do brucutu Kratos, outros simplesmente satisfeitos e felizes com o fim merecido da série. Seria uma boa época para lançar uma HQ sobre o espartano mais careca dos games?

É certo que God of War não é uma série profunda, muito menos Kratos, que é um personagem sem muita escala de cinza. Ou seja, eu realmente não tive nenhum motivo para ficar empolgado. E esse subestimar talvez tenha sido o meu mais feliz erro com a série, pois esse quadrinho além de muito bem desenhado, mostra um lado de Kratos que nunca antes fora abordado nos Games.

Lançado pela Panini Comics, com R$19,90 muito bem gastos e divididos em 148 páginas. É um quadrinho que vale a pena ter na estante. Realizada pelo selo Windstorm, da DC Comics, escrito por Marc Wolfman, famoso roteirista da DC e ilustrado de maneira brilhante por Andrea Sorrentino. Segue a Sinopse:

“Após um destruidor conflito, o guerreiro espartano Kratos venceu e matou Ares, tornando-se o novo deus da guerra. Mas sua verdadeira provação mal começou. Agora Kratos deve testar seu recém-adquirido poder contra o impossível e derrotar as terríveis criaturas que guardam a Ambrosia de Esculápio, capaz de curar qualquer doença. Uma jornada que o Fantasma de Esparta já realizou uma vez quando era um simples mortal… a um preço terrível! Esse sangrento capítulo na vida de um dos maiores ícones dos games da atualidade chega pelas mãos do lendário roteirista Marv Wolfman (Novos Titãs) e com a incomparável arte de Andrea Sorrentino. “

Enquanto Kratos segue novamente pela sua missão com seus poderes de deus da guerra recentemente adquiridos, ele relembra os fatos dessa mesma jornada no passado. E em meio as lutas contra seus inimigos, seus devaneios aumentam, dignos de uma culpa que ele carregará por toda a franquia.

Alguém se lembra de 300? Pois é, a Esparta continua a mesma, Kratos jovem, passa por provações para se tornar um dos maiores campeões. A história segue por duas linhas temporais, buscando uma mesma missão por dois objetivos diferentes. Kratos é um jovem, audaz e inexperiente guerreiro que está prestes a subir de cargo como capitão pelos seus feitos, e após Esparta ser acometida por uma doença que rouba a saúde de sua filha recém nascida, ele deve buscar a Ambrosia que dizem rumores curar tanto a vivos quanto a mortos para salvar além dela, os filhos de Esparta. Mas nada disso é ao acaso, pois mais uma vez a moléstia é obra da vaidade dos deuses, que apostam com os mortais. Cada um escolhe seu campeão, acometidos por pragas distintas, e buscando o mesmo prêmio.

God of War comics

O futuro Deus da Guerra luta internamente entre a paternidade e liderança, pois se preocupar com seus homens pode significar a perda da sua filha, e a intensidade da aventura põe a prova os espartanos em prol de seu egoísmo. E Kratos se vê lutando para abraçar o seu mundo com as mãos. Coisa que todos sabemos, nunca dá certo, e terá de escolher algum dos lados.

A arte da HQ é perfeita, levando para um lado mais realista mesclado com o artístico de pintura, caí perfeito com o drama e luta do herói trágico. O roteiro consegue trabalhar a tensão e vai crescendo conforme a história avança, e mesmo sabendo que Kratos permanecerá vivo, te leva a crer nos perigos fatais trago tanto pelos mortais quanto pelos deuses. Mostrando apenas a experiência de Marc Wolfman.

O final surpreende, se encaixa e as duas linhas colidem num clímax que deixa um gosto de “quero mais”, mesmo naqueles que acharam que estavam fartos.

No mais, deixo aqui minha recomendação absoluta. God of War nos quadrinhos não deve nada a mitologia grega.

POR ESPARTA!

God of War quadrinho

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