Artigo

A maldição da Residência Hill é um respiro para o terror

Terror é um gênero por muitas vezes incompreendido tanto pela crítica, quanto pelo público. O que faz um bom terror? Essa pergunta pode ser respondida de diversas maneiras. Alguns falariam que é pela quantidade de sustos efetivos por segundo de película rodada, outros que é a quantidade de litro de sangue espirrado por metro cúbico. Mas me atrevo a dizer que assim como qualquer outro gênero, o que faz uma boa história de terror é uma boa história.

Seja ação, romance ou comédia, uma boa obra pra mim gira em torno de pessoas e suas relações com os conflitos da trama. Se algo consegue ser passado com veracidade (que é diferente de verossimilhança, bom se atentar), então consegue ser minimamente palatável para mim. É claro que esse tipo de pensamento acaba excluindo grandes clássicos do terror e cinetrash, mas particularmente nunca tive muita paciência para obras mais descerebradas.

A questão é que a Maldição da Residência Hill não é sobre uma casa assombrada, mas sobre uma família que não sabe lidar com a morte, seu passado e seus conflitos. Tudo isso, salpicado de sustos e brincadeiras com os clichês do gênero.

O diretor opta por não se render a certos clichês e não pesa a mão na hora do susto, até demostra certa elegância nas tomadas e ritmo de cenas. O roteiro não fica pra trás, com a livre adaptação da obra homônima, que se distancia do original para nos entregar um enredo mais próximo do nosso dia-a-dia. A série está cheia de homenagens aos grandes nomes do gênero.

A família descompensada é também um grande elo do público com a trama, que consegue passar as agruras das relações humanas com excelência. Os primeiros cinco episódios se focam cada um em um membro da família, do mais velho para a mais nova, e criam uma base sólida para a partir dali tratar sobre a casa. Essa escolha é estranha a primeiro momento, já que as vezes a história principal parece de lado, mas é bem sucedida ao nos fazer se importar com os personagens e seus problemas. Gerando em seu final a catarse esperada.

A série não é nenhum primor do audiovisual, não quebra tendências (e nem se propõe a tal), mas consegue se sobressair mesmo sem muita ousadia, graças a ausência de obras de qualidade dentro do gênero. Me lembrou muito o trabalho que James Wan faz no cinema, só que com muito menos orçamento.

Fica um adendo especial ao episódio 6 da série, que com planos sequência de tirar o fôlego consegue entregar um recorte interessante entre os personagens. Que episódio!

Para fãs de terror e histórias de assombração, a Maldição da Residência Hill é parada obrigatória na Netflix.

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