Ponto G 46 – Chiquinha Gonzaga

Multitalentosa, essa brasileira foi compositora, pianista e maestrina. Pioneira, foi a primeira “chorona”, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca com letra e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

A essa mulher forte e determinada e a esse fenômeno da música brasileira dedicamos o programa de hoje: Chiquinha Gonzaga.


>>> Clique aqui e escute o programa anterior: Ponto G 45 – Especial Mulheres Digitais – Com Helenice (“Helê”) Moura  <<< 

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Vamos alimentar nossa curiosidade pelo saber! :)

Playlist

Latch Swing – Menilmontant
Sunsearcher – Brazilian Rhythm
Revolution Void – Scattered Knowledge
Quantum Jazz – If I can’t dance it’s not my revolution

Créditos

Apresentação: Ira Croft, Juliana Ponzilacqua e Tupá Guerra
Pauta: Beatriz Santos
Edição: Kyuu
Direção de arte: Andrei Fernandes
Locução: Dani Freitas
Direção geral: Iracroft

Sobre Iracroft

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Nascida no planeta Blastófila Blasmóide, viajou pela Terra do Nunca para hoje escrever sobre seus sonhos.

6 Comentários

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  • Que episódio lindo!

    Esse para mim é o episódio que eu esperava, eu adoro a Chiquinha Gonzaga, foi uma compositora fantástica. Gostei muito do episódio, pois conseguiram dar um belíssimo panorama da vida dela. Eu espero esse episódio desde o primeiro episódio que escutei do Ponto G.

    Uma curiosidade é a Elis Regina teve um filme com o Ronaldo Boscoli, e ele é sobrinho-neto da Chiquinha. Ambos tiveram um filho, e após acabar o casamento ela dizia que uma das coisas boas é que ela se sentia orgulhosa de poder dizer que um dos filhos fazia ela ter um parentesco com uma de suas ídolas. Fico em lágrimas quando lembro disso. Aproveitando, posso sonhar um episódio sobre a Elis?

    Mas voltando a Chiquinha, ela era muito corajosa, pois o ambiente da música popular do choro era um ambiente de bordel, de locais mais perigosos… Aí imagina: separar do marido em uma época em que isso praticamente não era possível por lei e ainda vai tocar em “locais de má vida”, e efetivamente perigosos em alguns pontos.

    Mas o que queria comentar, é que se tem revisto a música dela, como o próprio início do choro, na qual ela é uma figura importantíssima e fundamental, até porque a música dela, e do Ernesto Nazareth, eram os pontos de partida dos chorões. O choro começou como um jeito de acompanhar diferente, utilizando-se de contracantos improvisados, aplicado a diversos ritmos da época: Lundu, Maxixe, Habanera, Batuques, Corta-jacas, Coco, entre outros; que posteriormente fundiram-se e originaram primeiramente o Choro e depois o Samba.

    O mais recente é um artigo do Marcos Mesquita colocando em dúvida a maneira como classificasse a forma musical choro, tradicionalmente denominado Rondó. Sem entrar nos meandros da discussão, a questão é que as partituras dela indicam que a estrutura de rondó não dá conta de explicar o Choro e que ela pensou em uma estrutura mais complexa que influenciou outros compositores posteriormente. Essa pesquisa muda a forma de compreender o choro, e um dos pontos de partida é reler a música da Chiquinha Gonzaga. O artigo: https://www.academia.edu/33509522/Mesquita_Would_Brazilian_Choro_be_a_Rondo_Form_Some_Historical-Analytical_Considerations

    Outra questão complexa é o termo Tango Brasileiro.

    De Havana do século XIX, em Cuba, saiu uma dança que ganhou o mundo: a Havanera. Ela chegou a toda América Latina, Central, Norte (influi sobre o RagTime que originou o Jazz posteriormente), África e Europa.
    Um dos instrumentos que acompanhavam a Habanera era o Tango, um instrumento de percussão de origem africana comum na Cuba da época. Da mesma forma que a Habanera, os portos espalharam o Tango – instrumento – por aí.
    Em Montevidéu, Uruguai, e em Buenos Aires, Argentina, começou a mexer na coreografia da Habanera e uns detalhes rítmicos, que foi sendo chamado de Tango por causa desse tipo de frase: “Toca o Tango aí”, referindo-se ao instrumento. Porém, isso ocorreu ao mesmo tempo no Mar da Prata, Brasil e Espanha. Daí que está a questão: o Tango Argentino é um tipo de Tango que apareceu ao mesmo tempo na Argentina, no Brasil e na Espanha, lá denominado Tango Flamenco. Por mais que a Argentina tenha o Tango Argentino como símbolo, o Tango não é necessariamente argentino…
    O Maxixe é um ritmo e dança derivados do Lundu. Não é bem acertado se o termo Maxixe é tão antigo quanto Lundu, ou se seriam sinônimos anteriormente… Mas os registros de Lundu são mais antigos, isso é bem documentado.
    O Lundu se dançava com umbigada, ou seja, o baixo ventre do casal ficava unido, mais que o médio e alto ventre, e ambos rebolavam no processo. Vou deixar dois vídeos para ajudar a entender, um no contexto mais de Roda, outro no contexto do casal. O Lundu é meio lento mesmo, como em geral eram essas danças. A lentidão enfatizava a visão sexualizada de certos olhares. E a Chiquinha desde nova dançava Lundu e Umbigada

    https://www.youtube.com/watch?v=qtuMvsTLpJA

    https://www.youtube.com/watch?v=Yo4fdgUtnuI

    https://www.youtube.com/watch?v=tLpcpBGqwSc

    A Havanera trouxe o costume de dança de corpos colados. A Valsa, por exemplo, que foi a primeira dança em casal efetivamente bem documentada, os corpos não ficam exatamente grudados, quem trouxe isso foi o Havanera, que influenciou até o Forró nisso… Há de se lembrar que quando a Valsa surgiu o Lorde Byron, por exemplo, achou a Valsa escandalosa, sexualizante e que levaria as novas gerações a isolamento e maus costumes, sendo ele um libertino que chamava amigos para passar fim de semana em casa, a Marry Shelley por exemplo, aí deu uma nevasca enorme na Europa, o que alongou o fim de semana, e teve gente saindo grávida correndo para casar… Se o Lorde Byron achava a Valsa demais, imagina os europeus em geral…
    O Maxixe, no aspecto da dança, integrava a coreografia do Lundu os corpos colados da Havanera, e ritmicamente pegou uns elementos também desta última e misturados com o Lundu. Esse vídeo abaixo está bem comportado mas dá para ver como é.

    https://www.youtube.com/watch?v=xeY5EdMLUes

    Aí que está o ponto, quando a Chiquinha, e mesmo o Callado e o Nazareth, trocavam Maxixe por Tango Brasileiro, ainda não se tinha o Tango Argentino como referência, o Gardel foi divulgado no Brasil como Tango Argentino porque aqui já tinha o brasileiro…
    E aí há uma discussão interessante: a troca do nome Maxixe foi, provavelmente, mais pelo aspecto africano do nome do que a sensualidade da dança, pois se dançava Tango Brasileiro da mesma maneira. Como os Tangos surgiram ao mesmo tempo, disfarçar Maxixe de Tango Brasileiro foi mais usar um termo desconhecido fora das portos, bordeis e botecos, para mascarar o racismo por ser uma dança de raiz africana…
    Tem um lado interessante também, que as pessoas que a Chiquinha nomeou como Tango Brasileiro diretamente, não as modificados por questões editoriais, tem aspectos diferentes do Maxixe, principalmente na harmonia. Assim, é possível que ela e seus contemporâneos tenham criado um outro estilo musical mesmo, e o Tango Brasileiro teria uma diferença em relação ao Maxixe… Mas isso é alvo de discussão.

    O ponto principal é que a polêmica do nome Maxixe pode ter sido por preconceito racial mais do que pela coreografia em si mesma, e como o nome Tango era desconhecido a época, sendo o nome de um instrumento de percussão com o qual se acompanhava a Havanera, provavelmente o Tango Brasileiro não foi uma tentativa de desviar o termo a uma dança Argentina, que surgia na mesmíssima época, mas um desvio do preconceito contra danças de origem africana, mas, usando o nome de um instrumento africano para isso…

    As composições vocais da Chiquinha tem outro aspecto interessante… O Brasil do XIX não falava português em todos os estados, e daí havia problemas técnicos para resolver como compor uma melodia e cantar em português com os nossos sotaques, no caso, o sotaque carioca. As canções dela, como Lua Branca, por exemplo, ajudaram a resolver o problema.
    Canto, dialeto e sotaque é sempre problemática, pois notas musicais, em registros determinados de tessitura, que não combinam com certas sílabas. Ela foi a referência de compositores eruditos ao compor para voz, pois como ela escrevia e conhecia bem teoria musical, resolveu certos problemas no canto, já que na época tendia-se a cantar com voz empostada, a semelhança da ópera, por diversas questões históricas.
    Hoje parece piada isso ser um problema, mas há discussões musicológicas no canto brasileiro, tanto popular e erudito, pela questões dos sotaques, para não dizer dialetos, que temos por aqui. E ela, sem escrever um tratado sobre, ajudou a resolver certos problemas através de suas composições que tornaram-se modelo composicional da época.

    Muito obrigado pelo episódio e tudo de bom a vocês!

    Tiago de Lima Castro

    • Tupa Guerra

      Eu to sem palavras com o tanto que aprendi com o seu comentário! Obrigada!

    • Juliana P.

      mas que aulão da porra!!! adorei!!!

    • Beatriz Santos

      Aulão da porra [2]. Anotando tudo aqui, pq saber mais sobre música nunca é demais!!! *__*

    • Sir Jones Kast, Ph.D.

      Quanta sensualidade nessa dança, vendo o segundo vídeo, o mundo precisa ver isso, o Tango chega nem aos pés.
      Quase penso, dance Lundu e saia grávida. Brincadeira.

  • DSkonoha

    Lindo esse cast amei.