Resenha

[Resenha] Esquadrão Suicida e a obra-prima obrigatória

Depois de dois filmes, a DC tenta mais uma vez dar partida no seu universo cinematográfico, fazendo de uma maneira apressada o que a Marvel realizou em 6 filmes. O resultado? Não vou dizer que foi ruim. Também não foi tão bom assim. Esquadrão Suicida funciona bem como filme de ação. Algo que vemos no cinema para desestressar, sem precisar mudar a história dos filmes de quadrinhos.

O novo filme da DC não está no patamar dos melhores filmes de heróis, mas diverte como Blade, O Incrível Hulk, Homem de Ferro 2 e Thor: Mundo Perdido. Assim como os citados, temos atuações corretas, boas cenas de ação e uma trama com mais furos que o orçamento das Olimpíadas. O problema é que depois de toda a controvérsia de Batman v Superman, o filme do Esquadrão precisava fazer bonito para representar o DCU.

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Outro ponto problemático foi algo que começou de forma positiva, mas pode ser uma faca de dois gumes, o hype. A campanha de marketing do filme fez dele um dos mais esperados do ano e não duvido que o Esquadrão faça bonito na estreia. Só precisamos ver se o público vai gostar do que vê nas telas, pois se depender da crítica, a Warner pode acabar tendo que diminuir suas expectativas no cinema.

Acho que a culpa é do Nolan. Quando os filmes de heróis se tornaram um gênero próprio, com Blade, X-Men e Homem-Aranha, nós estávamos acostumados a esperar por produções divertidas e cheias de ação, mas nada que fosse chacoalhar o mundo do entretenimento. A trilogia do Batman e os primeiros filmes da Marvel Studios perecem ter colocado sob este gênero a obrigação de entregar sempre uma experiência cinematográfica “como nunca antes vista”. Enquanto a DC se contorce para colocar duzentos personagens na tela e torcer para alguém gostar de pelo menos um, a Marvel parece ter bebido da fonte da Apple, conseguindo agradar meio mundo mesmo quando entrega um filme meia boca.

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Esquadrão Suicida não é uma obra-prima. Ele não é o filme que mudará para sempre o universo dos heróis nos cinemas, mas por outro lado estes filmes da DC possuem uma coisa que a Marvel Studios não permite, liberdade criativa. Os Homem de Aço e BvS tinham a assinatura do Zack Snyder. Esquadrão Suicida não tem o mesmo tom, nem visualmente, nem no desenvolvimento da trama. Assim como o trailer da Mulher Maravilha não se assemelha a nenhum dos filmes anteriores deste universo compartilhado. Fico feliz em ver cada filme da DC ter um pouco de personalidade própria. O único filme da Marvel que foge um pouco da fórmula é Guardiões da Galáxia.

Mas você está lendo este texto querendo saber se vale a pena gastar seu suado dinheiro em um ingresso para ver Esquadrão Suicida. Numa resposta rápida, vale sim. Vá para o cinema sabendo que o filme diverte, mas para você embarcar na história vai precisar aceitar muita coisa sem se perguntar o motivo.

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Assim como em BvS, o problema maior aqui se chama tempo. Você tem pelo menos 10 personagens que nunca deram as caras no cinema (tirando o Coringa), com apenas 2 horas para serem apresentados, criarem uma ligação com o público e viverem uma aventura que valha a pena ser contada.

O modo como eles resolveram esta equação foi focar a atenção no Pistoleiro (Will Smith) e nos casais Arlequina (Margot Robbie) e Coringa (Jared Leto) e June Moone (Cara Delevinge) e Rick Flag (Joel Kinnaman). Através de cenas em flashback você fica sabendo mais sobre a origem destes personagens e é em cima deles que o diretor e roteirista David Ayer espera que o público consiga uma ligação mais forte. De resto, todo mundo é apresentado de forma bastante divertida, com letreiros personalizados e cenas engraçadas nos primeiros 30 minutos. Este início é a melhor parte do filme.

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Ayer, que soube mostrar muito bem como fazer o público simpatizar com personagens em filmes como Dia do Treinamento e Marcados para Morrer, sofre um pouco com o balanço entre os tais flashbacks, as cenas de ação e o desenvolvimento do roteiro. Outro problema que o diretor teve nas mãos foi a obrigação de tornar o filme mais “Marvel”. Com tiradas cômicas e muita música pop (provavelmente uma exigência do estúdio após o sucesso de Guardiões da Galáxia, o que resultou em cenas extras sendo feitas após o fim da fotografia principal).

Esta falta de balanço fica bem claro em pelo menos dois momentos do filme, onde a trilha sonora não combina em nada com o que se vê na tela e até atrapalha uma das piadas mais marcantes da Arlequina no trailer.

Acredito que o público adolescente (foco principal do estúdio) vai gostar do que verá na tela e não tenho muita dúvida que o filme irá se pagar, quem sabe até conseguindo emplacar uma sequência. Só não acho que veremos mais um filme atingir a marca do bilhão.

O texto está enorme e no fim das contas quero saber o que vocês acharam do filme. Foi isso tudo mesmo? Deixe seu recado nos comentários e vamos falar de cinema.

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P.S – O que achei do Coringa do Funk? Ele não teve tempo em cena suficiente para uma opinião completa (sim ele é apenas um coadjuvante), mas gostei mais das caracterizações apresentadas por Jack Nicholson, Heath Ledger e o melhor de todos, Mark Hamill.

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