[Resenha] And Then There Were None (2015)

Olá, amigos! Tudo bem com vocês? Comigo tudo ótimo! Mas e aí, quem gosta de séries britânicas? Quem gosta daquele sofrimento de assistir 3 ou  4 episódios por temporada e esperar 2 anos pra assistir a seguinte? Quem gosta de se apegar à série e descobrir que ela foi cancelada? Pois é, eu também amo!

Bobeiras à parte, hoje venho falar de uma minissérie britânica! E já que é mini,  não tem como maltratar nossos corações! Ela chama “And Then There Were None” (“E Não Sobrou Nenhum”, ou como eu chamo carinhosamente, “Morreu Geral”), foi feita pela BBC e fala sobre o livro homônimo da Agatha Christie (que teve acusações de racismo devido ao título original*). Vem comigo!

A série começa em Londres, Agosto de 1939. Oito pessoas desconhecidas entre si recebem convites para passarem alguns dias em uma ilha afastada. Todos esses convites partem do Sr. e Sra. U. N. Owen. Ao chegarem à ilha encontram o casal de criados da casa, Ethel e Thomas Rogers (Anna Maxwell Martin, da série Frankenstein Chronicles e Noah Taylor, de Game of Thrones), esperando-os com a notícia de que seus patrões só conseguiriam chegar no dia seguinte.

Apesar da estranheza o jantar é servido normalmente, mas durante a confraternização entre os visitantes, um áudio começa a tocar por toda a casa, citando o nome de cada uma das 10 pessoas presentes e os crimes cometidos por cada uma delas. Na sala de jantar existem 10 esculturas em cima da mesa, e em cada cômodo da casa há um papel com o Poema dos Dez Soldadinhos que conta como, de um em um, os soldadinhos foram morrendo tragicamente. Quando as primeiras mortes começam a acontecer, e as esculturas começam a sumir, não demora muito para os visitantes perceberem que tudo que acontece no poema irá acontecer com eles também.

Uma tempestade fortíssima se inicia e todos se veem presos na ilha. Não existem maneiras de entrar em contato com a cidade, se tornando impossível chamar a polícia. Rapidamente os visitantes começam o jogo de acusação, onde cada pessoa é mais culpada que a outra e ninguém confia em ninguém. Enquanto o passado volta para assombrá-los, dá pra sentir e ver a sanidade deles escapando por entre os dedos. Nós vemos os personagens relembrando seus erros e refletindo sobre sua inocência. Quem será o assassino?

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Agora, vamos falar sobre os personagens (com doses homeopáticas de spoiler que não afetam o desenrolar da trama):

Charles Dance (Tywin Lannister de Game of Thrones) é o juiz Lawrence Wargrave, acusado de ter condenado à forca um homem inocente;
Toby Stephens (da série Black Sails) é o Dr. Edward Armstrong, acusado de ter matado um paciente após operá-lo bêbado;
Maeve Dermody (do filme Black Water) é Vera Claythorne, acusada de ter deixado uma criança se afogar;
Burn Gorman (da série Revenge [#RIP]) é o Detetive Sargento William Blore, acusado de ter agredido até a morte um preso;
Aidan Turner (O  Kili estragado pelo romance com a elfa que nem existe, pra começo de conversa da trilogia O Hobbit) é Philip Lombard, acusado de ter matado trocentas pessoas na África;
Douglas Booth (do filme Noé) é Anthony Marston, acusado de ter atropelado duas pessoas de forma meio que proposital;
Sam Neil (Jurassic Park! Dr Alan Grant!!) é o General John McArthur, acusado de ter matado um oficial sob seu comando;
Miranda Richardson (Rita Skeeter <3 Harry Potter) é Emily  Brent, acusada de ser a responsável pelo suicídio de uma pessoa;
O casal Ethel e Thomas Rogers, mencionados ali em cima, são acusados de matarem seu antigo patrão.

Todos os atores são consagrados ou na tv ou no cinema, então foi maravilhoso de assistir. Os episódios duram aproximadamente 1h, mas passam voando. A BBC sabe mesmo fazer séries, a fotografia é muito bonita e o roteiro é bem fiel ao livro, com um ou outro detalhe que tem que dar aquela romantizada pra ficar mais legal (tipo o Aidan Turner sem camisa… tipo wtf estamos no final dos anos 30!).

Uma das coisas mais interessantes do livro é colocada de forma muito acertada na série: A tempestade. Quando um dos personagens é encontrado morto do lado de fora da casa, todos chegam à conclusão de que existe um assassino entre eles. É nesse momento que começa a tempestade, deixando-os presos na ilha. Mais do que presos com o assassino, eles também estão presos com suas consciências pesadas. Foi incrível ler o declínio psicológico dos personagens, cada vez mais paranoicos com o total isolamento, e assistir foi tão bom quanto. Chegando no final do livro/minissérie, os personagens estão tão consumidos pela culpa que surtam completamente.

No mais, And Then There Were None é uma minissérie maravilhosa. Todo fã da Agatha Christie deveria assistir e os não fãs também deveriam porque valhe a pena. O incrível dessa obra é que ela não tem ninguém pra resolver o mistério. Não tem Miss Marple*, nem Hercule Poirot*. Nessa obra, apenas assistimos o desenrolar do mistério e torcemos pra solução aparecer pra nós ( por um segundo eu pensei que a série não contaria quem era o assassino!).

Nota: 5/5 (Sou Agatheira mesmo, me julguem)

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PS: Como eu tinha dito no começo, o livro tem uma polemiquinha básica. Quando foi lançado, em 1939, tinha o título de “Ten Little Niggers”, Os Dez Negrinhos, fazendo alusão ao poema existente no livro. A polêmica, óbvio, se deveu ao fato da palavra “Niggers”. Portanto, o livro ficou conhecido através de 3 títulos diferentes: O original, “Ten Little Indians” (que também não ajuda muita coisa porque né) e “And Then There Were None”, sendo esse o mais usado. Aqui no Brasil ainda recebeu o nome de “O Vingador Invisível” (acostumados desde sempre com os títulos super diferentes do original). Devido à mudança de título, os personagens do poema mudaram também, passando de negrinhos para soldadinhos. Muito melhor, né?
PS2: Miss Marple e Hercule Poirot são personagens dos outros livros da Agatha Christie. Em suas aventuras, são os responsáveis por desvendar os crimes. Exemplos de livros com Miss Marple: Um Corpo na Biblioteca, Cem Gramas de Centeio, O Caso do Hotel Bertram; Exemplos de livros com Hercule Poirot: Assassinato no Expresso do Oriente, Morte no Nilo, Os Elefantes não Esquecem.

Sobre Andrei Fernandes

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Falando de podcast com muita ousadia, alegria e misantropia. Também autor do livro Kalciferum, chanceler supremo do Freakstão e morador de Setealém.

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