Resenha

Wilfred, o melhor pior amigo do homem

Wilfred é uma série americana, baseada na homônima australiana (que por sua vez, foi feita depois do sucesso do curta original), cuja estréia foi em junho de 2011 e o último episódio foi ao ar em agosto de 2014. A série foi criada por Jason Gann e Adam Zwar, que interpretavam os dois personagens principais tanto no curta quanto na série australiana. Wilfred é uma série com linguagem e humor bem pesados, já estão avisados!

A série conta a história de Ryan (Elijah Wood, nosso querido Frodo), um advogado depressivo, cansado de viver uma vida em que ele não consegue encontrar um rumo, e que acabou de se demitir da firma do pai por odiar demais seu trabalho. Começamos o episódio piloto com Ryan preparando um “shake” composto por vários comprimidos, finalizando sua carta de suicídio, e indo para a cama esperar a morte. Mas a morte não chega, e Ryan acorda na manhã seguinte com Jenna (Fiona Gubelmann, de Escorregando para a Glória), sua nova vizinha (por quem ele obviamente se apaixona), batendo em sua porta e pedindo para que ele tome conta de seu cachorro Wilfred.

wilfred

E é aí que começam as bizarrices: Wilfred não é um cachorro normal (a raça de Wilfy é desconhecida, mas ele é bem parecido com o Cobberdog Australiano), mas sim um homem fantasiado de cachorro (interpretado pelo ator-roteirista Jason Gann)! Ele anda em pé, fala normalmente (com sotaque australiano), fuma, bebe, usa drogas ilícitas (espere muitas cenas de Ryan e Wilfred chapados), faz diversos jogos mentais e tem uma paixão desenfreada pelo ator Matt Damon, mas todas as pessoas parecem vê-lo como um cachorro. Inclusive Wilfred tem diversos “cachorrismos”, como se coçar, perseguir carteiros e cruzar com ursinhos de pelúcia (a ursa Bear, com quem Wilfred afirma ter um “relacionamento complicado”).

Wilfred é um personagem extremamente dúbio. Ele passa o tempo todo implicando e brincando com Ryan, e suas ações afetam tanto Ryan quanto as pessoas a sua volta. Nunca fica claro se ele está tentando melhorar ou estragar completamente a vida de Ryan, que começa a cuidar dele diariamente. Com o passar das temporadas começamos a nos questionar sobre a existência ou não de Wilfred, e a série meio que se pauta inteira nisso, só respondendo essa questão completamente em seu último episódio. Eu sei que é realmente incrível dizer que ficamos em dúvida, mas a série traz tantas reviravoltas e se abre pra tantas teorias que o fato de Wilfred ser um humano vestido de cachorro ou não é apenas um mero detalhe…

Além dos 3 já citados acima, temos outros personagens importantes na vida de Ryan e Wilfred:

Kristen (Dorian Brown, de Recuperando a Esperança) é a irmã de Ryan, uma médica extremamente estressada, recém-divorciada e que engravida de seu chefe. Apesar de sua vida também ser uma bagunça, ela tenta bravamente consertar a vida de Ryan, tentando fazê-lo amadurecer (sendo bastante ofensiva na maioria das vezes), o que torna a convivência muito tensa. É fácil se irritar com Kristen, mas lá no fundo ela só quer entender seu irmão, e quer que ele seja feliz;
Catherine (interpretada por Mary Steenburgen, de A Proposta, e por Mimi Rogers, de Two and a Half Men) é a mãe de Ryan, que está internada em uma instituição de saúde mental por ser, provavelmente, esquizofrênica (algo herdado por Ryan? Será?);
Henry (James Remar, da série Dexter) é o rígido pai de Ryan, que ele tanto teme, mas que na verdade só quer o seu bem. Ryan guarda uma espécie de mágoa do pai, por ele ter mandado sua mãe embora para a clínica;
Drew (Chris Klein, de American Pie) é o namorado de Jenna, que Wilfred odeia por ele estar sempre sendo autoritário com ele. Drew é meio bobão e infantil, adora Ryan e nem imagina que ele nutre sentimentos por Jenna;
Amanda (Allison Mack, da série Smallville) é o interesse amoroso de Ryan na segunda temporada. Ryan começa a trabalhar em uma empresa farmacêutica e Amanda é uma bioquímica. Aos poucos começamos a perceber que ela é quase tão maluca quanto Ryan;
Bruce (interpretado por Dwight Yoakam, de O Quarto do Pânico e por William Baldwin, de Ressaca de Amor) é outro personagem tão estranho e dúbio quanto Wilfred. Ele também consegue enxergar Wilfred como humano, e sua existência também é posta em dúvida;

E por último, mas não menos importantes, temos os 2 arqui-inimigos de Wilfred: Jellybeans (Jujuba) e Stinky (Fedido), dois cachorros. O primeiro é um cachorro de verdade, que sabe vários truques e de quem Wilfred tem muito ciúme e inveja (as cenas de Jason Gann dialogando com um cachorro de verdade são hilárias). O segundo é a versão “chique” de Wilfred, que é meio bobão e usa uma bandana vermelha no pescoço.

A série conta ainda com algumas participações especiais muito legais: Eric Stoltz (Anaconda, Pulp Fiction) na primeira temporada, Robin Williams (Gênio Indomável, Patch Adams, etc etc) e Rob Riggle (Anjos da Lei, Os Estagiários) na segunda temporada e Tobin Bell (o Jigsaw em Jogos Mortais) no episódio final da série.

(Ryan: Você ficou maluco! É como se você tivesse desenvolvido algum tipo de Complexo de Deus!
Wilfred: Vou te contar um segredinho, Ryan. Eu não tenho um Complexo de Deus. EU SOU DEUS! TROVÃO!
*Barulho de trovão*
Ryan: COMO VOCÊ FEZ ISSO????
Wilfred: FELIZ COINCIDÊNCIA!!!!)

A partir da terceira temporada conhecemos a existência de uma seita chamada “The Flock of the Grey Shepherd” (algo como “O Rebanho do Pastor Cinza”). Essa seita cultua duas divindades-cachorro, Mataman (Mat Damon? Matdamon? Mataman?) e Krungle: A primeira traz felicidade e a segunda traz tristeza, mas é impossível definir quem é quem pois eles são idênticos. Ambos têm a cara do Wilfred! De acordo com a crença da seita, haveria o nascimento d’O Escolhido que seria guiado pelas divindades no caminho da felicidade (Mataman) ou da tristeza (Krungle). Mas como diferenciar os dois? Ryan é o escolhido?

O mais legal, na minha opinião, é que a série nunca foi uma simples série de comédia nonsense. Ela fala sobre depressão e sobre saúde mental, mostrando um personagem que sofre de ambos e cuja mãe também sofre do mesmo mal. Ela fala sobre se sentir incapaz de ser feliz, e sobre achar que sua felicidade se resume a uma pessoa ou coisa. Fala sobre controle mental e emocional e a falta dele. Wilfred nos ensina que devemos parar de procurar ao redor, pois as respostas estão todas dentro de nós. Ryan era o escolhido? Wilfred era uma divindade? Isso realmente importa?

Todos os episódios começam com uma citação famosa, referente ao título. Por sua vez, todos os títulos são referentes a coisas que acontecem durante os 20 minutos do capítulo. A série começa e termina com episódios cujos primeiros minutos são praticamente idênticos, e que partilham o mesmo nome: Happiness (Felicidade). Acompanhamos a vida de Ryan em um círculo completo, e depois que o último episódio termina, fica a sensação de que Ryan finalmente está feliz.

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