Resenha

Supernatural: uma segunda chance!

 

Olar, pessoal! A décima temporada acabou quarta-feira passada, dia 20, e com ela foram renovadas as minhas esperanças de que Supernatural tá conseguindo voltar aos trilhos. O episódio foi muito bom, as cenas finais foram angustiantes, e o novo plot tem tudo pra ser apocalíptico, do jeito que a quinta temporada deveria ter sido, mas escorregou.

Então vamos lá terminar o que começamos semana passada?

Como eu disse no último post, Eric Kripke abandonou o cargo de showrunner e deixou a série nas mãos de Sera Gamble, o que foi apenas a pior coisa que poderia ter acontecido com Supernatural. Sera foi showrunner por duas temporadas apenas, mas foi o suficiente para tirar completamente dos trilhos uma série que tinha acabado super bem amarrada. Um bilhão de personagens novos e com aparições curtas, vilões sendo desperdiçados, storylines chatas e fracas… Foi bem ruim, galera.

Foi mais ou menos assim: passou-se um ano após os acontecimentos da temporada anterior. Dean está vivendo uma vida normal com sua antiga namorada Lisa (Cindy Sampson, do filme The Shrine) e seu filho Ben (Nicholas Elia, de Speed Racer), que diga-se de passagem, é idêntico a Dean (apesar de Lisa afirmar que Dean não é o pai). Eventualmente Sam reaparece, mais vivo e mais focado do que nunca, e descobrimos que Samuel Campbell (interpretado por Mitch Pileggi, da série Arquivo X), avô dos garotos, também está vivo. Mas vocês devem estar se perguntando “Como assim o Sam conseguiu sair da jaula? O resto da galera não tava lá presa?” Pois bem, ele saiu, mas saiu sem alma. “Sam-sem-alma” é o primeiro plot da temporada, e é bem chato, porque foi muito mal aproveitado, mas calma que ainda tem mais.

Ao mesmo tempo, o Céu está um caos (plot 2). Miguel era quem comandava tudo, mas como ele está preso com Lúcifer dentro da jaula do Inferno, outros anjos estão tentando tomar o controle. De um lado o arcanjo Rafael (interpretado por vários atores) e do outro, formando a “chapa de oposição”, Castiel. Aos poucos começamos a ver um Castiel diferente, mais sério e até um pouco sombrio. Já no Inferno tudo muito tranquilo, pois com Lúcifer, Azazel e Lilith mortos, o próximo da linhagem é ninguém menos do que Crowley! Melhor rei! Crowley está tentando encontrar o Purgatório (plot 3), que é o local onde as almas de todos os monstros “falecidos” estão presas. Caso encontre, ele poderá absorver todas essas almas e ficar extremamente poderoso.

imagem: seriemaniacos.tv

imagem: seriemaniacos.tv

Eventualmente, enquanto os irmãos investigam um caso sobre vampiros, Dean é mordido por um deles e começa a se transformar. Para conseguir reverter a transformação e salvar Dean, Sam e seu avô Samuel precisam encontrar os Alphas (primeiros vilões da temporada), que são os monstros originais (cada raça possui seu Alpha), e usar o sangue do vampiro Alpha. Enquanto Crowley procura pela “porta” para o purgatório, descobre que dragões (?) são os únicos que sabem como essa porta é encontrada. Ao encontrar e abrir a porta, eles liberam Eve, a mãe de todos os monstros (interpretada por diferentes atrizes e a segunda vilã da temporada), que sai criando novos monstros, na tentativa de conseguir fazer o espécime perfeito.

Voltando ao “Sam-sem-alma”, Dean faz um trato com a Morte em troca da alma de seu irmão. O problema é que a sua alma “se lembra” de todas as coisas terríveis que aconteceram dentro da jaula, e ele pode ficar louco com essas lembranças. A Morte então coloca uma espécie de “barreira” na mente de Sam, para que ele não tenha recordações do que aconteceu em seu tempo preso. Descobrimos que Crowley e Castiel estiveram de conchavo durante toda a temporada, e que planejam dividir as almas do Purgatório entre si. Obviamente os irmãos tentam impedir e Castiel APENAS retira a barreira na mente de Sam, e este entra em coma. Além disso, Castiel trai Crowley e absorve todas as almas do Purgatório, ficando extremamente poderoso e se auto proclamando o novo Deus.

Foram tantas storylines que não dava pra contar nada direito. Inseriram dois vilões que poderiam ter sido interessantes, Eve e os Alphas, apenas para tirá-los de cena pouco depois, sem muita dificuldade da parte dos irmãos. Nem preciso dizer que Sam sem alma é chatíssimo, repetitiva, meio sem fundamento e, quando você chega na décima temporada, percebe que o que acontece com o Dean é apenas uma releitura (bem melhor) do que já aconteceu com o Sam. Com certeza o ponto alto dessa temporada foi o episódio em que Sam e Dean são transportados para uma realidade onde eles são Jared Padalecki e Jensen Ackles, e trabalham numa série chamada Supernatural.

Sétima temporada. Castiel é o novo Deus e está pelo mundo exercendo o que ele caracteriza como o bem maior. Mas como ele é o Castiel, acaba fazendo caquinha e libera os Leviatãs, os vilões da sétima temporada, os tão temidos monstros originais (e chatíssimos, diga-se de passagem). Os Leviatãs são encabeçados por Dick Roman (James Patrick Stuart, de Simplesmente Complicado), um figurão dono de várias empresas e que as usa para seus planos malignos de dominação mundial.

Conhecemos Charlie (Felicia Day, da série Eureka e a Websérie The Guild), uma hacker-nerd-quefazcosplay que trabalha para Dick Roman e acaba se tornando uma importante aliada de Sam e Dean, e também Kevin (Osric Chau, do filme 2012), um adolescente que é acertado por um raio (?) e se transforma em profeta (??), que pode ser a chave para derrotar os Leviatãs. Por esse motivo ele precisa ser protegido, já que tanto os anjos quanto os demônios querem tê-lo como prisioneiro.

Castiel some (presumidamente morto) e não pode ajudar os irmãos e Bobby. No primeiro encontro com Dick Roman em uma de suas fábricas, Bobby é capturado e posteriormente morto (R.I.P. Bobby), deixando Dean extremamente focado em acabar com os leviatãs. Enquanto isso, Sam está tendo várias alucinações devido às suas lembranças do inferno, sem saber o que é real e o que é falso, vendo Lúcifer para todos os lados e acaba parando em um manicômio, deixando Dean desesperado para encontrar alguém que pudesse curá-lo. Eles encontram e pronto, acabou a plot que durou toda a temporada anterior!

Dick Roman captura Kevin e faz com que ele traduza as tábuas para ele, Bobby ainda está preso na Terra e aos poucos está se tornando um espírito vingativo, movido pelo ódio que sente pelos Leviatãs. Dean volta no tempo e consegue resgatar a única arma que poderia matar Leviatãs, uma arma forjada por Deus. Finalmente os irmãos e Castiel conseguem chegar onde está Dick Roman para matá-lo e se vingar. Logo depois de conseguirem, uma enorme luz branca engole toda a sala: Dean e Castiel somem, Crowley aparece e leva Kevin embora e Sam fica sozinho. A cena final mostra onde Dean e Castiel foram parar: No purgatório. Ou seja, Dean morreu mais uma vez.

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A partir da oitava temporada, Jeremy Carver (escritor de Supernatural e produtor executivo de Being Human) assumiu. O dramalhão mexicano de Sera Gamble sumiu, com todas aquelas longas cenas de “conversa dos meninos”, como os fãs chamam, mas isso não significa que a história melhorou. Até porque a tarefa seria árdua, depois do descarrilamento que foi a era Gamble.

No primeiro episódio encontramos Dean já fora do purgatório, procurando um cemitério. Chegando lá, ele protagoniza uma das cenas mais ridículas e que vou demorar muito para esquecer. Ele abre o túmulo de uma pessoa, desenterra seus ossos, faz um corte no seu braço e ejeta para fora de si a “essência” desse homem em cima de seu esqueleto, ressuscitando-o (Juro que depois dessa cena, eu pausei o episódio e fiquei alguns minutos tentando me decidir se valia a pena ou não continuar, rsrs). A tal pessoa é o vampiro Benny, que o ajudou a sair do purgatório. Enfim…

Depois de toda essa baboseira, Dean vai atrás de Sam e descobre que ele decidiu viver uma vida normal sem monstros (e, aparentemente, esqueceu completamente do fato de que seu amado irmão ficou meses preso no purgatório, mas ok, irmãos mais novos são assim mesmo). Eles descobrem a existência de uma tábua, carinhosamente chamada de Tábua dos Demônios, com ensinamentos para: a) abrir todas as portas do inferno e trazer todos os demônios para a terra e b) selar todas as portas do inferno e prender todos os demônios lá. Kevin é o único profeta capaz de traduzir essa tábua, então durante toda a temporada os irmãos e Crowley ficam lutando pela “posse” dele.

Castiel volta para a terra com a ajuda de novos anjos extremamente interessados pelos irmãos Winchester. Enquanto isso Kevin descobre que para fechar os portões do Inferno, uma pessoa precisa ser escolhida para realizar três testes extremamente perigosos e que podem custar a vida do escolhido (Sam, no caso). Os irmãos descobrem também a existência da Tábua dos Anjos, que funciona basicamente da mesma forma que a Tábua dos Demônios.

Conhecemos o demônio Abbadon (Alaina Huffman de Stargate Universe), que é um Cavaleiro do Inferno e a vilã dessa e da próxima temporada. Os irmãos descobrem um bunker pertencente aos “Homens das Letras”, como eram chamados os antigos caçadores, e se instalam lá, aprendendo mais sobre seu passado e sobre os monstros, através de todos os documentos que se encontram lá. Durante a execução dos testes, Castiel encontra Metatron (Curtis Armstrong, de New Girl), o Escriba de Deus, e no final da temporada acaba sendo traído por ele, que rouba sua graça divina e transforma Castiel em humano, além de condenar todos os anjos a caírem do céu.

Na nona temporada, vemos Sam à beira da morte (novidade) devido à força que gastou na tentativa de realizar os testes. Como Castiel não tem mais poderes para ajudar, Dean faz um acordo com um anjo para que ele use Sam como um receptáculo, podendo assim curá-lo. Crowley foi capturado pelos irmãos e está preso no bunker, recebendo injeções de sangue humano, o que acaba enfraquecendo seus poderes e transformando-o em um ser mais empático. Já que Crowley está incapaz de reinar, Abbadon vira a rainha do Inferno.

Castiel está vagando pela terra, tentando lidar com o fato de ser um humano e ainda assim precisar ser uma voz para todos os anjos que foram expulsos do céu. Outros anjos começam a se rebelar e se aliar com Metatron, um deles sendo o anjo que está usando Sam como receptáculo. Metatron se aproveita dessa oportunidade e induz o anjo a tomar total controle de Sam, matando Kevin (RIP Kevinzinho) para que as tábuas não pudessem mais ser traduzidas. Castiel se vê forçado a roubar a graça de outro anjo para poder ajudar os irmãos a expulsar o anjo do corpo de Sam.

Enquanto isso, Abbaddon está fazendo o inferno na terra, e a única forma de matá-la é com a Primeira Lâmina. O problema é que essa arma está na posse de Cain, e só pode ser usada por aqueles que possuem a Marca de Cain. Depois de muito drama e “conversa de garotos”, Dean decide que irá receber a marca e aceitar as consequências que ela poderá trazer, e eles partem em busca de Abbaddon. Após mata-la (de forma incrivelmente rápida, levando em consideração o fato de que levou 2 temporadas), Dean começa a sentir a influência que a Marca tem sobre ele, mas prefere esconder isso de Sam. Com a ajuda de Crowley, ele resolve matar Metatron, que está extremamente forte por ter a Tábua dos Anjos em sua posse, e brincando de Deus. Dean tenta, mas todas as suas investidas são inúteis e, adivinhem o que acontece? Isso mesmo, ELE MORRE. DE NOVO.

Sam chega ao local do confronto, mas é tarde demais e tudo que ele pode fazer é segurar o irmão nos braços e leva-lo de volta ao Bunker, para ser velado. Chegando lá, Crowley aparece e coloca a Primeira Lâmina nas mãos de Dean, que abre os olhos, agora completamente negros.

A décima temporada, a atual, mostra as consequências da marca em Dean e a tentativa de Sam em trazer seu irmão de volta. Conhecemos a mãe de Crowley, Rowena (Ruth Connel), uma bruxa poderosíssima e uma das personagens mais chatas e irritantes, junto do Metatron. Conhecemos também a família de Jimmy, o receptáculo de Castiel, e vemos o que aconteceu com as vidas da mulher e filha de Jimmy e a forma como isso afeta Castiel, que se sente responsável por tudo que elas passaram.

Aos poucos a marca de Cain começa a afetar Dean seriamente, fazendo com que ele tenha momentos de descontrole emocional, onde tudo que ele quer é matar pessoas. Sam começa a procurar formas de salvar seu irmão, e encontra um antigo livro que ensina a remover a marca de Cain. No processo ele acaba esbarrando com uma antiga família ocultista que mata Charlie (RIP Charlie linda) como vingança, deixando Dean revoltado e cada vez mais distante de seu verdadeiro eu.

No último episódio, Dean invoca a Morte e pede para que ela o leve, mas ela tem uma ideia melhor: coloca-lo em um lugar inacessível para que ele viva para sempre sem fazer mal a ninguém, mas para isso ele precisa matar seu irmão. A Morte explica que a marca não deve ser retirada, pois se não houver alguém para carrega-la, ela não mais serviria como o selo que protege a Terra de um mal gigantesco, conhecido como “A Escuridão”. Enquanto isso, Rowena, Castiel e Crowley começam a executar o feitiço para remoção da marca, alheios do que isso causaria á humanidade. A cena final é apocalíptica, com a marca removida do braço de Dean e a Escuridão liberta.

Essa temporada teve o episódio 200, que trouxe uma homenagem muito legal aos fãs da série. Nele, um grupo de alunas cria um musical baseado nos livros de Chuck, com direito a coral cantando “Carry on my Wayward Son” e várias referências às temporadas passadas. Essa temporada foi a mais bem amarrada e focada, desde a sexta temporada. Depois disso os roteiristas estavam desesperados para corrigir os tropeços das duas anteriores, e parece que agora finalmente conseguiram botar a série nos trilhos, no caminho de volta ao que um dia ela foi.

Agora vamos responder à pergunta que não quer calar: Supernatural é uma série de terror ou apenas garotos bonitos? A minha resposta não pode ser outra além de “Ambas as coisas”.

Desde o começo a série tinha humor, sacadas geniais, referências à cultura pop (incluindo uma trilha sonora sensacional, composta por clássicos do rock) e todos aqueles elementos que você vê numa convivência real entre irmãos: implicância, gozação, empurrões, tapas, discussões, e até mesmo os momentos mulherzinha. Era engraçado como você conseguia se relacionar com aquilo, esse era o grande diferencial de Supernatural. Infelizmente todos esses fatores foram repetidos à exaustão, as tramas começaram a ficar sem sentido, tudo começou a se perder e a ser esticado o máximo possível para que pudesse durar. Não existe mais aquela essência do começo da série, e apesar dessa décima temporada ter sido razoavelmente melhor do que as 4 últimas, ainda assim não se compara ao início. Tenho fé que essa próxima temporada continue aumentando o nível da série e continue a voltar às suas raízes.

Em contrapartida, Supernatural continua no ar basicamente por causa de sua fanbase gigante. Os fãs são extremamente apaixonados e criam petições, fazem abaixo-assinados, comparecem em peso aos eventos, convenções, e etc (inclusive o Misha Collins, o Castiel, foi confirmado na próxima Comic Con!!!!!!). Felizmente (ou não, dependendo do ponto de vista), os roteiristas sabem se aproveitar desse fato e estão sempre criando situações que agradam aos fãs (principalmente os mais ávidos, que escrevem fanfics e juram que existe uma relação amorosa entre Dean e Castiel), que acabam se esquecendo da queda de qualidade e se focando na empatia que desenvolveram pelos dois personagens principais. A sorte é que os atores foram muito bem escolhidos, pois são eles quem levam a série nos ombros e a mantém no ar por todos esses anos. Supernatural virou o show de Jared e Jensen.

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