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Porque você deveria assistir agora Avatar: A Lenda de Aang

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Rever Avatar: A lenda de Aang foi um dos grandes favores que pude me fazer nos últimos tempos. Nunca uma série ganhou tantos significados depois da segunda assistida. Será o preconceito de ver certos temas tratados com seriedade em um cartoon quando assisti pela primeira vez? Ou será que na idade que acompanhei não dei o devido valor a obra?

Talvez um pouco de tudo. Primeiramente disputava a animação na tv aberta junto com os afazeres diários e rotineiros, além de ter que parar pois a terceira temporada ainda não havia sido trazida para o Brasil e a única opção foi procura-la em inglês depois de muito tempo de espera. Também nesse meio tempo houve o filme horroroso live-action que com toda a certeza foi um dos maiores desserviços que já vi um produtor hollywoodiano cometer. (Dragon Ball não tem a mesma carga emocional e espiritual que Avatar e apesar de ser um filme pior, não me incomodou tanto quanto este).

A questão é que nesses últimos tempos minha namorada ficou a fim de ver já que eu sempre falava de como a série era boa e por ela ter assistido picado na mesma TV aberta, decidimos sentar e assistir todas as três temporadas disponíveis no Netflix. E como fomos felizes nessa decisão.

Livro 1 – Água

O cartoon começa morno, com uma proposta genérica de “há um mal no mundo e apenas o escolhido pode derrota-lo”. Personagens que a primeira vista também pareciam cheios dos clichês: “O protagonista bonzinho”, “a garota mãezona”, “o alivio cômico”, “o vilão em busca de recuperar sua honra”. Tirando certos episódios, Avatar realmente poderia afastar um público mais adulto por priorizar mais as gags engraçadinhas que sua trama, já que por muitas vezes os episódios pareciam não se correlacionar e fechavam-se neles mesmo. O problema sempre era “Essa vila tem um problema” e depois da solução, partiam para a próxima.

Mas aos poucos a série foi mostrando a genialidades dos roteiristas e temas mais densos começavam a ser abordados, mesmo que ainda de leve. E após tantos episódios ficava cada vez mais claro como cada personagem tinha carisma e começavam também aos poucos a respirarem por conta própria. As gentilezas da Katara fazia parte de sua personalidade, assim como as piadas de Soka e a humildade de Aang.

Quando chegamos finalmente no arco final dentro da Tribo da Água do Sul, temos uma completa reviravolta e a panela de pressão explode. Os dois últimos episódios da primeira temporada foram uma verdadeira obra prima. Tudo o que o filme americano não foi. O espírito da lua, o ladrão de rostos, o sacrifício, o estado avatar, a tentativa de assassinato de Zuko e o clima épico. Com toda a certeza esse foi um dos pontos altos do desenho, que aos poucos assumia um compromisso com o telespectador que não poderia decepcionar. E não decepcionou.

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Livro 2 – Terra

A segunda temporada marcou não apenas por vários episódios geniais e de cunho social/político, mas pela apresentação de uma das personagens mais carismáticas da série. Toph, a bandida cega. Seu sarcasmo e seus poderes de dobras mostraram como uma personagem que inicialmente poderia parecer frágil e clichê pôde se transformar em uma das mais queridas.

O livro finalmente mostrou sua face quando o maniqueísmo da série começou a ser posto a prova. Não me entendam mal, a Nação do Fogo realmente é retratada como vilã. Mas vemos  que a situação do Reino da Terra realmente não estava nada fácil. A guerra escondida, corrupção, traição e mais uma vez o desenho esquentou, dessa vez a metade da temporada foi regada com muita paranóia, mistério e política.

Os episódios são mais envolventes em todos os sentidos, os personagens deixam de ser unilaterais e o lado espiritual de Aang aflora quando começa a ser abordado os antigos feitos dos avatares anteriores. Tivemos vários desses episódios inesquecíveis. A biblioteca enterrada, as 5 pequenas histórias, a tentativa de invasão da nação do fogo e o próprio final de temporada. As coisas começavam a se amarrar para preparar terreno para o grande final.

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Livro 3 –Fogo

A trama em seu começo trata toda especificamente sobre a Nação do Fogo, será que todos são tão maus assim? Aang se aproxima mais de sua encarnação anterior, Rocco, e sua amizade com o Senhor do Fogo que iniciou a guerra. A personalidade de todos os personagens é aprofundada mais e conhecemos todos de perto, seus traumas e seus desejos, entendemos suas motivações e torcemos por eles.

Zuco é a estrela dessa temporada junto com Aang, sua redenção começa de maneira sutil e soa natural. E os dois personagens são protagonistas de um dos melhores episódios que já assisti de uma série, quando descobrem outra maneira de efetuar a dominação do fogo.

A batalha final se aproxima e os tons épicos chegam aos níveis máximos. Tudo a partir da metade final da temporal é perfeita e bem encaixada. Aang finalmente entende seu papel no mundo sem sacrificar seus ensinamentos, uma lição que é esfregada na cara dos espectadores. E a resolução final é de uma beleza que transcende qualquer história que com toda certeza já passou em um canal de desenhos infanto juvenis.

Avatar ensina respeito, espiritualidade, sacrifício, bondade e responsabilidade a uma geração que nem sempre está exposta a esse tipo de coisa. Uma quase poesia oriental voltada para como podemos moldar nosso destino, mesmo sendo ele inexorável.

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