Artigo

Filosofia de boteco sobre Prometheus

Esse texto contém doses cavalares de Spoilers, se não viu, não leia. Simples assim. Entenda finalmente se Prometheus é ou não um prólogo para Alien – O 8° passageiro.

 “We were so Wrong” 

Gostaria de abrir o texto com essa frase, que trilhou minha mente desde o primeiro teaser que saiu nos sites de notícias. Não irei parafraseá-la para transformar no que o Ridley Scott deveria ter dito quando concluiu o filme em sí, isso seria previsível e irreal, já que o filme tem pontos muito interessantes. Mas ostento esta frase para mostrar o peso que esse filme teve na minha imaginação nos momentos em que só tínhamos acesso a uma sequência aleatória de imagens junto com uma trilha sonora magistral.

Como bem alguns sabem, sou fã de obras de ficção científica que decidem falar sobre existência e sobre o papel do ser humano com relação ao universo (isso explica meu amor inexorável e eterno de obras como Akira e Evangelion). Mas isso não significa que EU busque uma Resposta, isso quem faz são crentes de alguma religião ou cientístas. Se fosse para explicar em palavras (por mais difícil que seja) meu fascínio é pela Pergunta, não pela Resposta.

Mas no que meu ponto de vista extremamente pessoal muda em Prometheus? 

Nada. Mas é bom deixar explicado para tentarmos compreender um pouco o que o filme representa.

Chamarei o Space Jockey/Extreterrestre bombado como eles o chamam no filme, Engenheiros. 

O filme começa com um prólogo que destrói a proposta do filme logo de cara. O que entendemos daquela cena “para idiotas” ? O Engenheiro toma a sopa primordial e sua estrutura biológica volta ao início da evolução, ele se desfaz na água da Terra e isso dá origem a vida no planeta.

Repondido! Ta-dã

O grande problema do filme é ser megalomaníaco e não conseguir suprir a necessidade que ele cria com essas dúvidas. Diferente de filmes como Contato e Missão Marte que são filmes que tem reviravoltas fantásticas. Prometheus prefere cair nos clichês de filme de terror americano, com direito a “sacrifícios pela humanidade jogando a nave inteira contra a outra” e momento “dont touch this”.

Se fossemos destrinchar o filme, vemos que grande parte de algumas cenas são irrelevantes. E pior ainda, o filme chega a ter problemas de continuísmo (quem não se perguntou “WTF” quando o velho senhor Wayland se levantando após a cena do parto?) e de motivações por parte de alguns personagens. Que apresentam a profundidade de uma poça de lama e representam arquétipos óbvios do gênero terror/suspense como o vilão, o covarde, o babaca, a heroína e assim por diante. Quando o melhor personagem do filme é um robô, temos problemas.

42 é a resposta para a vida o universo e tudo mais. E é esse o problema de Prometheus, ele é um 42 gigante tatuado na testa daquela cabeça gigante que tanto vimos nos posters. Infelizmente para Douglas Adams era uma piada, para Prometheus, não. E é claro que escutaremos muito do “mas essa é a graça, não ter explicação e deixar o expectador pensar”. Não! Essa grande (mas sutil) diferença de uma obra que deixa soluções em aberto, que tem PERGUNTAS claras e definidas, com outra desleixada com pontas soltas que tem mais RESPOSTAS inexplicáveis do que perguntas em sí.

O linha principal do filme se desamarra de maneira embolada, primeiro temos a cena do prólogo. O Engenheiro se sacrifica, doando seu próprio DNA aos homens (Como Prometeus que dá fogo ao homem grego, ou seja, vida). Já que os homens fizeram pinturas rupestres sobre eles, pode-se dizer que tiveram outros contatos através da história, como um pai protetor que vigia a criança. E porque afinal deixaram de fazer? Uma praga? Não é explicado, mas todos morreram, e poderia muito bem ser esse o mistério do filme se não houvesse tanta preocupação em se desviar do assunto para as vilanias do androide David, que apenas serviu para mostrar a também vilania das corporações (presentes nos filmes do Alien).

Quando finalmente o climax do filme chega, e o Sr. Wayland (com a mesma qualidade de maquiagem do Biff do De Volta para o Futuro 2) entra em contato com o Engenheiro sobrevivente,  o que afinal irrita tanto o extraterrestre? Vamos analisar pela visão do próprio:

Vejo um grupo de pessoas, humanas a minha volta. Eles me acordaram. Vejo violência, agitação, gritos, não entendo. Quando me deparo com um espécime semi-morto a minha frente que pede por imortalidade. 

Acho que nisso já fica claro o porque da “mudança de idéia” do Engenheiro. Levando a destruir a raça humana para recria-la do zero. Violência não é o problema, se fosse ele nunca arrancaria a cabeça do androide e esmurraria a cara do velho com tanta vontade. O grande problema é o homem ousar se aproximar de deus. A imortalidade, dádiva dos deuses.

Mas infelizmente foi preferível, violência desenfreada e sem motivo do que um genial dialogo entre o androide e o Engenheiro, dando a entender os verdadeiros motivos de tudo. Mas como disse no começo. Prometheus quer se fazer grande quando quer, mas na hora que precisa, se acovarda. E é isso tudo que mais irrita, quem ficou irritado com o final de Lost (que tem um dos roteiristas escrevendo este filme) ou com filmes de ficção que cai na burrada de achar que o expectador é um idiota.

Será que titio Ridley mostra fazer a mesma escola que Lucas e Spielberg? Será a vontade de forçar religião tão irritantemente em vários elementos relacionados aos Engenheiros como Spielberg de colocar crianças? Não vejo problema em simbolismo, até porque Evangelion insere religião dentro da proposta da ciencia de maneira exemplar. Enquanto o filme em questão prefere responder essas questões de maneira infantil. Ou será que não perceberam que os Engenheiros estavam mortos a dois mil anos atoa?

A última questão: Alien ou não? Eis a questão!

Sim e não. Com certeza teremos fãs xiitas ofendendo no cinema. Mas com certeza todos que viram a última cena saíram com uma cara de bunda. O filme consegue decepcionar no prólogo e na cena final quase que da mesma forma. Alien é na maior cara dura empurrado no filme como alguém tentando desentupir a privada. Ele não tem qualquer nexo na história, não tem encaixe, não tem motivo.

Temos pequenos elementos mostrando que o filme faz parte do universo. Sangue ácido, Space Jockeys, a serpentinha com a cara familiar. Mas a partir do meio pro final, tudo é corrido para que possamos ver o grande xenomorfo preferido de volta a tela. E a relevância dele pro filme é tão grande que só conseguiram encaixa-lo na cena final como easter egg. Se lembra da explicação que cobrei mais a cima sobre humanidade, vida e tererel? Preciosos minutos foram gastos para desenvolver uma sub-trama-secreta que fará o Alien aparecer como Easter Egg, e de quebra, matar o Engenheiro no final do filme daquela forma. Precisava realmente disso?

E me pergunto, como que o Alien se transforma no que conhecíamos, com a língua dentada, calda em forma de lança e protuberância nas costas, se apenas haviam Engenheiros enterrados ali? Se bem me lembro no Alien 3, esses monstros felizes e gentis ganham características dos seres em que eles são gerados. Sem falar o quão difícil será os fãs encaixarem o que essa história toda tem a ver com a nave achada no 8° passageiro.

Provável concept descartada da cena do novo alien

Infelizmente a minha constatação máxima é que Ridley Scott ficou em cima do muro, ele viu a oportunidade de fazer uma história nova, mas não quis largar o Alien para trás. Longe de mim criticar o grande diretor/roteirista que é Scott foi, mas isso soa muito como um erro bem amador de roteiro.

Apesar dos apesares, recomendo a todos que assistam. Pelo menos se for gerar uma discussão sensata sobre humanidade tudo é válido. A trilha sonora é boa (não estupenda), e visualmente o filme é quase perfeito.

Agora alguém me explica, o que DIABOS É AQUELE ZUMBI?

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