Resenha

[Mundo Tentacular]A Cor que caiu do Espaço

Fã das obras de Howard Phillips Lovecraft, sempre procurei em sebos, livrarias e finalmente tive que apelar para o Mercado Livre sobre livros do autor lançados aqui no Brasil. Foi então que fiquei sabendo do mais novo lançamento da Editora Hedra, o “Chamado de Cthulhu”, que adquiri na mesma hora. E quando descobri que a editora iria lançar uma coleção inteira de contos e textos entrei em êxtase.

Abrangerei mais sobre  H.P. Lovecraft em outras ocasiões por isso estou criando a culuna Mundo Tentacular. E estreando agora com o mais novo lançamento da coleção:

 

A Cor que caiu do Espaço

 

(The Colour Out of Space)

“A OESTE DE Arkham as colinas se erguem virgens, e existem vales de raízes profundas que nenhum machado jamais cortou. Existem desfiladeiros sombrios e estreitos onde as árvores se enclinam de maneira fantásticas e onde pequenos riachos correm sem jamais ter refletido a luz do sol.”

Eu lembro deste conto, pois já o havia lido tem bastante tempo, e lembrava de muita pouca coisa, mas lembrava que tinha adorado. Por isso foi uma bela revisita a um dos mais clássicos (e maduros) contos do autor, e escolhido por ele mesmo como o seu melhor. A crítica em geral também o elogia bastante. (E é o que o próprio autor elegeu como favorito)

Qualquer conto de H. P. Lovecraft precisa de uma certa dedicação do leitor, não é uma leitura fácil, usando de uma linguagem bastante rebuscada e complexa, o leitor consegue viajar pelo universo de cada conto. O termo “alienígena” tem uma conotação bem “natural” para nós, depois de acompanhar incontáveis referencias de aliens em filmes, livros, séries, games e etc… Mas Lovecraft consegue dar o verdadeiro significado de um horror alien, algo que é estranho para nós, incompreensível, aterrorizante. E como o apse de todos seus contos, a sua imaginação aqui vai a mil, com a tentativa de dar imagem as descrições adjetivas fantásticas e preencher as lacunas dos mistérios. E esse é um dos traços mais legais do autor, que quando você termina algum conto, ficará degustando ele na sua mente por um bom tempo.

A Cor que caiu do Espaço é narrado por um funcionário público (sem nome)  enviado de Boston para procurar um lugar ideal para um reservatório de água, ele chega aos arredores de Arkham* aonde acha um grande local de aproximadamente 20.000 metros quadros e sem vida,  e começa a entrevistar os moradores sobre o estranho lugar, sem sucesso, já que os moradores da região temem o que chamam de “descampado maldito”. Se conta que muitas pessoas tentaram morar naquela área, tendo a abandonado pouco tempo depois, relatos de pesadelos horríveis e eventos inexplicaveis, o Descampado gera uma aura de temor desconhecido. O Narrador então, aconselhado pelos moradores locais procura Ammi Pierce, um senhor que vive isolado, pois é o mais próximo morador do Descampado. E dele vem a história do bizarro e aterrador evento que veio do céu em forma de meteóro. Temos toda uma ambientação fantástica de degradação e mistério, que atingiu a área próxia a fazenda dos Gardner, a pedra que desafia as leis da química e dos sentidos humanos é o veículo de algo que mudará para sempre a vida de Nanhum Gardner e sua família.

Esse antagonista não é um ser, uma magia ou nada que possamos dar sentido ou que já tenhamos visto em outras obras antes, apenas atribuir adjetivos (que o autor faz com maestria), pois essa é uma das grandes sacadas do conto, apenas digo que literalmente é uma cor que caiu do espaço.

O livro contém apenas esse conto, tendo mais 3 textos, extraídos provavelmente das muitas (dezenas de milhares) cartas que o autor trocou durante sua curta vida. O conteúdo desses textos são extremamente interessantes e contam um pouco da vida, da época, e da perspectiva do autor da mesma com relação ao mercado editorial e de revistas pulp* como a Weird Tales e a Amazing Stories (que publicou originalmente A Cor que Caiu do Espaço). Os textos deste apêndice são:

 “A Condição de um Cético”, que narra um pouco da ideologia, crenças e opiniões sobre a cultura, religião e filosofia do autor, que me deixou deveras impressionado com a maturidade do mesmo, por exemplo, tendo feito o seu primeiro questionamento filosófico com 5 anos. É genial e instigante, de forma que nunca encontrei nada parecido pelas procuras pela internet com relação a esse autor.

Contém também “Notas sobre uma não entidade” a tentativa de uma mini auto biografia, aonde narra o seu interesse pela mitologia e como ela foi evoluindo até chegar em química e astronomia, também muito bom para quem é fã.

E por ultimo, “Notas sobre ficção interplanetária” na qual o autor faz uma mega crítica, e discute o que seria ideal para uma boa ficção interplanetária em sua visão, mostrando seu asco pelas histórias clichês e genéricas de “Heróis” e “Vilões” que “entupia” a maioria das revistas pulp da época, além do temor da preferência dos editores a essas histórias do que a obras mais reais e elaborados do que realmente poderia ser considerado como arte e literatura. O que podemos fazer um paralelo com o que temos hoje em dia na cultura pop, por exemplo as obras “pipocas” como “Transformers”, “Crepúsculo” e semelhantes fazendo o sucesso com as massas, enquanto verdadeiras obras de artes são deixadas de lado e ficam marginalizadas. E na minha opinião é por isso que Lovecraft ainda não explodiu de fato, mesmo tendo tantas referências na cultura pop, não é literatura de grandes públicos.

Eu recomendo este livro para quem já conhece as obras do autor pois mostra todo o crescimento e maturação, tanto das idéias, quanto da forma de escrita para com os outros contos, além de ter esse apêndice que foi colocado de maneira brilhante pela editora para ilustrar o que seria uma conclusão de toda a obra do genial autor. Seria esse o último livro da coleção? Espero que não.

Se você é novo, gostou e quer conhecer mais, eu recomendo o mais clássico, além de ter vários outras obras, então poderá conhecer as várias facetas do autor é “O Chamado de Chuthulu” também pela Editora Hedra.

O livro e a coleção pode ser adquirida pelo próprio site da editora, como em livrarias.

 

*Pulp ou ainda pulp fiction ou revista pulp são nomes dados a revistas feitas com papel de baixa qualidade (a “polpa”) a partir do início da década de 1900.

fonte: Wikipédia

 

por Andrei Rated

 

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